Ferrari descarta obrigar clientes a comprar o Luce elétrico para acessar modelos exclusivos
Diretor comercial da montadora italiana rebate rumores e diz que pressionar compradores seria um 'grande erro'.
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A Ferrari descartou a possibilidade de usar seu primeiro carro elétrico, o Luce, como moeda de troca para garantir acesso aos modelos de edição limitada da marca. Segundo a Autoesporte, Enrico Galliera, diretor de marketing e comercial da montadora, negou publicamente uma reportagem da Bloomberg que sugeria exatamente isso — e foi além, classificando essa estratégia como um equívoco grave.
"Correríamos o risco de criar embaixadores negativos que falariam mal do Luce e, depois de alguns meses, o revenderiam", afirmou Galliera, conforme apurou a Autoesporte. Na avaliação do executivo, esse comportamento destruiria o valor de revenda do veículo — problema que, segundo ele, já assombra o segmento de elétricos de luxo como um todo. O Luce é avaliado em US$ 630 mil.
A Autoesporte aponta que a Ferrari orientou sua rede de concessionárias a vender o elétrico apenas para quem demonstrasse interesse genuíno, sem qualquer relação com a fila de espera por outros modelos. A marca mantém um sistema tradicional de alocação que privilegia clientes antigos, multisproprietários e participantes de eventos da fábrica — critérios que permanecem inalterados. Em 2025, cerca de 84% dos carros novos da Ferrari foram vendidos a atuais proprietários da marca.
O Luce foi apresentado no mês passado e gerou forte reação nas redes sociais, sobretudo pelo design de cinco lugares e pela ruptura com os motores a combustão que definem a identidade da marca. A Autoesporte lembra que o CEO Benedetto Vigna chegou a afirmar que o modelo recebia "forte interesse" de clientes novos e antigos, mas números concretos de pedidos só devem ser divulgados no final de julho, junto aos resultados do segundo trimestre.

