Imprudência no volante: o motorista é o maior inimigo do próprio trânsito
Mais do que o volume de carros, são as atitudes irresponsáveis ao volante que travam as cidades e destroem o prazer de dirigir.

Engarre, buzina, pisca-alerta piscando sem motivo e ninguém sinalizando a conversão. Quem dirige com frequência nas grandes cidades brasileiras conhece bem esse cenário. A Quatro Rodas levanta um debate incômodo: boa parte do caos urbano não vem do excesso de veículos, mas do excesso de má vontade de quem está ao volante. Estacionar em fila dupla, fechar cruzamentos, usar o acostamento como faixa extra e ignorar vagas reservadas a idosos, gestantes e pessoas com deficiência são infrações cotidianas que, somadas, travam o fluxo e corroem a convivência no asfalto.
A Quatro Rodas cita a análise de Mauri Oliveira, pesquisador do Centro de Pesquisas Sociossemióticas da PUC-SP, que enxerga o engarrafamento como um fenômeno também comportamental: para ele, o congestionamento é tanto resultado de carros em excesso quanto de impaciências acumuladas. Segundo o pesquisador, dentro do trânsito travado cada centímetro conquistado vira troféu e qualquer fechada se transforma em afronta pessoal — o outro motorista deixa de ser alguém com o mesmo destino difícil e passa a ser um obstáculo a ser vencido.
A Quatro Rodas também recorre ao conceito CHA — Conhecimento, Habilidade e Atitude — citado por José Aurelio Ramalho, especialista em segurança viária do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV). De acordo com Ramalho, a maioria dos motoristas já sabe as regras e tem capacidade técnica para cumpri-las; o que falta, e o que de fato determina se um acidente ou infração vai acontecer, é a atitude. Em outras palavras, o problema raramente é ignorância — é escolha.
No fim das contas, como aponta a Quatro Rodas, quem pensa que saiu na frente no trânsito não ganhou nada de concreto: tempo, dinheiro, saúde e o simples prazer de dirigir são perdas compartilhadas por todos, inclusive por quem acredita ter levado vantagem.
Fontes
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