Mercedes-Benz W111: o avô do Classe S que inventou a segurança automotiva moderna
Lançado em 1959, o sedã alemão introduziu conceitos que moldaram décadas de engenharia e normas de proteção aos ocupantes.
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Poucos carros podem reivindicar um legado tão denso quanto o Mercedes-Benz W111. Apresentado no Salão de Frankfurt de 1959, o sedã alemão não era apenas um automóvel luxuoso para os padrões da época — era uma declaração de intenções sobre o que a engenharia poderia fazer pela segurança humana. A Quatro Rodas aponta que o W111 foi o primeiro carro produzido em larga escala a adotar carroceria com célula de sobrevivência rígida, combinada a zonas de deformação programada na dianteira e na traseira, conceito que a indústria inteira viria a copiar décadas depois.
O projeto carregava também escolhas estéticas polêmicas. Segundo a Quatro Rodas, as barbatanas traseiras — assinadas pelo designer Karl Wilfert como concessão ao gosto norte-americano — geraram resistência entre clientes mais conservadores, e a Mercedes precisou argumentar que elas tinham utilidade prática nas manobras de estacionamento. Por dentro, o velocímetro de fita vertical e a almofada no volante para reduzir lesões em acidentes antecipavam conceitos que só ganhariam nome décadas depois, como o airbag.
A Quatro Rodas detalha que o W111 era oferecido em três versões com motor M127 de seis cilindros em linha e 2,2 litros: o 220b com dois carburadores simples e 95 cv, o 220Sb com carburadores duplos e 105 cv, e o 220SEb com injeção mecânica Bosch e 120 cv — este último capaz de atingir 172 km/h graças a um diferencial com relação mais longa. O câmbio era manual de quatro marchas com alavanca na coluna, e havia a opção da embreagem automática Hydrak, que dispensava o pedal de embreagem sem ser um câmbio automático convencional.
A família cresceu e se diversificou ao longo dos anos 1960. A Quatro Rodas explica que o W110 chegou em 1961 com motores de quatro cilindros e carroceria levemente menor, enquanto o W112 trouxe o motor de três litros, suspensão a ar e acabamento superior. Os cupês e conversíveis da linhagem, desenhados por Paul Bracq, abandonaram as barbatanas e tiveram produção estendida até 1971. No total, quase 973 mil unidades foram fabricadas. Em 1965, o W111 gerou o W108, antecessor direto do Mercedes Classe S — prova de que aquele sedã de barbatanas polêmicas fundou uma das linhagens mais longevas da história do automóvel.
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