Troca de óleo a cada 2.500 km e graxa no chassi: como era manter um carro nos anos 60
Documentos históricos revelam a rotina de manutenção exaustiva que os motoristas brasileiros enfrentavam com carros novos entre 1960 e 1970.
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Manter um carro novo nos anos 60 era um trabalho de tempo integral. A Quatro Rodas aponta que testes publicados pela revista entre 1960 e 1970 expõem uma realidade radicalmente diferente da atual: mesmo veículos recém-saídos de fábrica exigiam atenção constante, com intervalos de manutenção que hoje soariam absurdos.
O Fusca Pé de Boi é um exemplo emblemático. Segundo a Quatro Rodas, o motor 1.200 boxer de 36 cv exigia troca de óleo a cada 2.500 km em condições normais — intervalo que caía ainda mais em uso severo. O filtro de ar precisava ser limpo a cada 1.250 km, mesmo período em que o chassi deveria ser engraxado. Felipe Bitu, especialista em carros antigos e colaborador da Quatro Rodas, explica que engraxar pontos como terminais de suspensão e molas era fundamental para vedar componentes contra poeira e água, além de garantir a maciez no rodar. O Toyota Bandeirante testado em 1964, conforme relata a publicação, ia além: exigia reaperto da carroceria após os primeiros 1.000 km e troca de todos os fluidos já nos primeiros 500 km, consequência direta da baixa precisão de fabricação da época.
A Quatro Rodas destaca ainda que os óleos minerais monoviscosos usados no período ficavam extremamente viscosos no frio, assemelhando-se a graxa, o que tornava obrigatório aquecer o motor antes de sair — tanto para dilatar as peças quanto para afinar o lubrificante e evitar que os retentores estourassem. Já o DKW Belcar S, com seu motor dois-tempos de três cilindros, demandava óleo misturado à gasolina para lubrificação interna. A revista relata que o sistema automático Lubrimat rendia cerca de 400 km por litro, abaixo dos 600 km prometidos pela montadora, o que levava muitos proprietários a fazerem a mistura manualmente no posto. O Simca Esplanada, com seu V8 2.5 de 140 cv, fechava o quadro com troca de óleo do motor a cada 1.500 km — intervalo ainda mais agressivo do que o do Fusca.
O contraste com os dias atuais não poderia ser maior. O que a Quatro Rodas evidencia com esses registros históricos é que a simplicidade mecânica dos carros antigos não significava facilidade de uso: significava, na prática, que o motorista precisava ser quase um mecânico para manter o próprio carro funcionando.
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