Volkswagen pode cortar 100 mil empregos e fechar quatro fábricas na maior crise de sua história
CEO Oliver Blume apresenta plano radical de reestruturação após lucro despencar 44%; sindicatos prometem resistência e desfecho ainda é incerto
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O Grupo Volkswagen pode estar às vésperas da maior crise de sua história corporativa. Segundo a Quatro Rodas, que cita informações da agência Reuters, o CEO Oliver Blume teria apresentado a executivos sêniores um plano radical de reestruturação envolvendo o corte de até 100 mil postos de trabalho e o fechamento de quatro fábricas na Alemanha. O pano de fundo é uma deterioração financeira acelerada: a Quatro Rodas aponta que o lucro do grupo despencou 44% em 2025 na comparação anual, chegando a 6,9 bilhões de euros — o pior resultado desde o escândalo do Dieselgate.
A magnitude do corte é histórica. Conforme a Autoesporte, se confirmado, o plano eliminará quase um em cada seis dos cerca de 625 mil empregos da empresa no mundo — o que pode torná-lo um dos maiores programas de demissão da história da indústria automobilística, superando os 74 mil postos cortados pela General Motors nos anos 1990 e os 60 mil eliminados pela IBM em 1993. O Notícias Automotivas reforça que a escala da operação coloca a VW diante de uma disputa histórica no setor, sem precedentes recentes entre as grandes montadoras europeias. O UOL Carros acrescenta que o plano foi revelado inicialmente pela revista alemã Manager Magazin e repercutido pelo diário BILD, reforçando a amplitude da repercussão da medida na imprensa europeia.
De acordo com a Quatro Rodas, que também referencia o site português Razão Automóvel, metade das demissões já estava prevista em planos anteriores para serem executadas até 2030 na Alemanha. A Autoesporte complementa que a nova proposta — revelada inicialmente pela revista alemã Manager Magazin e repercutida pelo Financial Times — acrescenta outros 50 mil postos ameaçados além do que já havia sido anunciado. As vagas adicionais estariam em risco pelo possível fechamento das plantas de Hanover (Volkswagen Comerciais), Zwickau (Volkswagen, Cupra e Audi), Emden (Volkswagen) e Neckarsulm (Audi). Segundo o Razão Automóvel, as unidades seriam encerradas gradualmente, à medida que os modelos produzidos em cada uma fossem descontinuados ou transferidos para outras fábricas.
O objetivo financeiro por trás do movimento, conforme a Quatro Rodas, é uma redução de custos da ordem de US$ 148,2 bilhões — cerca de 15% — ao longo dos próximos cinco anos. A pressão vem de múltiplas frentes: a Autoesporte destaca que o avanço das montadoras chinesas no mercado global e o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos, somados ao conflito no Oriente Médio e ao agravamento da situação no mercado chinês, corroeram as margens do grupo a ponto de tornar insuficientes os acordos firmados no fim de 2024 com os sindicatos. O Notícias Automotivas acrescenta que a combinação desses fatores externos com uma estrutura de custos historicamente elevada na Alemanha criou um cenário em que ajustes incrementais já não são suficientes para reequilibrar as contas do grupo. Apesar disso, um acionista da Volkswagen, Ingo Speich, da Deka, foi categórico ao falar à Reuters: "Os custos elevados são apenas um sintoma, não a causa. A VW precisa lançar no mercado produtos atraentes e com alta demanda."
A Autoesporte aponta que as novas medidas foram anunciadas logo após a venda da divisão de motores marítimos Everllence para a gestora americana Bain Capital, operação que deve render 7,4 bilhões de euros à companhia. Blume vem promovendo um enxugamento da estrutura do grupo para concentrar esforços no negócio principal de automóveis, e a expectativa, segundo a Autoesporte, é que a empresa venda outros ativos para reforçar o caixa. No ciclo anterior de cortes, a montadora já havia encerrado uma pequena fábrica em Dresden e busca comprador para a unidade de Osnabrück, cuja produção deve ser encerrada no próximo ano.
A Autoesporte lembra ainda que Blume já declarou publicamente que fechar fábricas definitivamente não era sua opção preferida. Segundo ele, a empresa buscava soluções "inteligentes", como produzir nessas unidades modelos chineses da Volkswagen ou transferi-las para outras montadoras — sinalizando que as negociações ainda podem suavizar o plano, como já ocorreu em reestruturações anteriores da companhia. O UOL Carros reforça que essa postura do CEO indica que o comitê de direção ainda avalia caminhos alternativos antes de bater o martelo sobre os fechamentos. O Notícias Automotivas observa que essa abertura para alternativas indica que o desenho final da reestruturação ainda está em aberto e dependerá, em grande medida, do resultado das negociações com representantes dos trabalhadores nas próximas semanas.
A resistência interna já se organiza. A Quatro Rodas destaca que o sindicato IG Metall e o conselho de fábrica da Volkswagen prometem se opor às medidas. Segundo o Notícias Automotivas, lideranças sindicais avaliam que cortes dessa magnitude afetariam não apenas os trabalhadores diretos da VW, mas toda a cadeia de fornecedores e as economias regionais das cidades onde as plantas estão instaladas — ampliando o potencial de pressão política sobre o governo alemão para intervir nas negociações. A própria empresa optou por não comentar os planos publicamente. O desfecho dessa disputa pode redefinir não apenas o futuro da maior montadora europeia, mas também o mapa industrial da Alemanha.

