99 e iFood criam fundo de R$ 304,5 milhões para turbinar indústria de motos elétricas no Brasil
Empresas de mobilidade e delivery apostam em estrutura inédita para viabilizar 600 mil motocicletas elétricas até 2035 e construir uma cadeia produtiva nacional do zero.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
A eletrificação das motocicletas no Brasil está prestes a ganhar um empurrão vindo de um lugar inusitado: não de uma montadora, mas de empresas de tecnologia e delivery. Segundo o Jornal do Carro, 99 e iFood decidiram ir além da simples compra de motos para suas frotas e passaram a financiar a criação de uma indústria nacional capaz de produzir veículos elétricos adaptados às condições brasileiras. Para isso, as duas companhias já aportaram mais de R$ 45 milhões cada como investidores-âncora de um fundo gerido pela YvY Capital, que tem meta de captação de R$ 304,5 milhões.
A lógica do projeto, conforme explica o Jornal do Carro, não é erguer fábricas imediatamente. Bruno Aranha, Chief Venture Officer da YvY Capital, descreve o fundo como um mecanismo de redução de risco: ao injetar entre 5% e 7% do capital necessário para desenvolver projetos industriais, a iniciativa pretende viabilizar os outros 95% em investimentos privados — o que, segundo a gestora, pode representar mais de R$ 5 bilhões na próxima década. A meta é colocar 600 mil motocicletas elétricas em circulação até 2035, com cadeia produtiva envolvendo baterias, motores, eletrônica embarcada e infraestrutura de troca de baterias.
O Jornal do Carro aponta que a jornada até aqui foi mais difícil do que os executivos esperavam. Thiago Hipólito, diretor de inovação da 99, conta que a empresa chegou a acreditar que o processo seria mais rápido do que a eletrificação dos carros, já que as motos custam menos. O resultado foi o oposto: a complexidade operacional se mostrou muito maior, e não havia um fabricante global já preparado para suprir o mercado brasileiro — diferentemente do que ocorreu com os automóveis, onde a BYD chegou com produto competitivo pronto.
Para entender o que faltava, a 99 montou uma equipe dedicada a testes em condições reais, submetendo diferentes modelos a ladeiras, ruas esburacadas, jornadas acima de 100 quilômetros diários e ciclos intensos de troca de baterias, segundo o Jornal do Carro. Os dados coletados com os motociclistas profissionais eram repassados diretamente aos fabricantes. O processo revelou que boa parte das scooters elétricas produzidas na China não estava preparada para o uso intensivo exigido pelo mercado brasileiro — o que reforça a aposta do fundo em desenvolver produtos sob medida para o país.
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