Baterias de elétricos: as críticas mais comuns fazem sentido?
Incêndios, mineração de cobalto e danos às estradas estão entre os argumentos mais usados contra os veículos elétricos — mas especialistas contestam boa parte deles.
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Os carros elétricos vivem um momento de expansão acelerada no mundo. Segundo a Autoesporte, as vendas cresceram mais de 150% na Austrália em abril na comparação anual, 80% na região Ásia-Pacífico no primeiro trimestre de 2026 e cerca de 75% na América Latina — dados atribuídos à Agência Internacional de Energia (AIE). Mesmo nesse cenário favorável, as baterias de íons de lítio seguem sendo o calcanhar de Aquiles dos elétricos: são o componente mais caro e o alvo preferido de quem critica a tecnologia.
Um dos argumentos mais recorrentes é o risco de incêndio. A Autoesporte aponta, porém, que essa crítica ignora um dado relevante: veículos movidos a combustão têm propensão muito maior a pegar fogo do que os elétricos. Outro ponto debatido é o suposto dano que as baterias pesadas causariam às estradas — tese que especialistas ouvidos pela publicação rejeitam, indicando que os caminhões de grande porte são os verdadeiros vilões do desgaste das rodovias.
A questão da mineração de cobalto, especialmente nas minas da República Democrática do Congo, é talvez a crítica de maior apelo ético. A Autoesporte destaca que um programa jornalístico australiano expôs condições precárias de trabalho, inclusive com crianças, em minas controladas por empresas chinesas. No entanto, a reportagem teria deixado de lado um ponto crucial: a maioria das baterias automotivas modernas já migrou para a tecnologia de fosfato de ferro-lítio (LFP), que dispensa o cobalto. O professor de química Neeraj Sharma, da Universidade de Nova Gales do Sul, afirma à Autoesporte que 'os fabricantes de veículos elétricos vêm se afastando do cobalto porque ele é caro, tóxico e apresenta dilemas éticos', e acrescenta que composições ainda mais baratas, como as baterias de íons de sódio, já estão chegando ao mercado.
A Autoesporte também registra a posição de David McElrea, diretor-executivo do Smart Energy Council australiano, que questiona por que o foco recai sobre os elétricos quando celulares, tablets e laptops igualmente utilizam cobalto em suas baterias. Para ele, os temores sobre as cadeias de suprimento de minerais críticos são legítimos, mas a indústria automotiva já reagiu a essas preocupações e incentivou inovações que eliminaram o mineral da maioria das baterias de carros elétricos atuais.
Fontes
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