Caminhões elétricos somam apenas 0,4% das vendas no Brasil, bem atrás da China e da Europa
Infraestrutura de recarga precária e custo elevado travam a eletrificação da frota pesada brasileira, apesar das projeções otimistas para 2030.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O Brasil ainda engatinha na eletrificação de sua frota de caminhões. Segundo dados da consultoria Mirow, os modelos elétricos respondem por apenas 0,4% das vendas de veículos zero-quilômetro no segmento de cargas — um número que expõe o tamanho do desafio nacional mesmo diante de uma produção doméstica já estabelecida e de um fluxo crescente de importações.
A comparação com outros mercados é reveladora. Conforme o Jornal do Carro (Estadão) aponta, a China já eletrificou 13,5% de sua frota de caminhões, enquanto a Europa opera com cerca de 2,5%. O Brasil, abaixo de 1%, fica distante de ambos os referenciais. Para Elmar Gans, sócio da Mirow, o gargalo não está na tecnologia: "O caminhão elétrico já é economicamente viável em algumas operações, mas está longe de ser uma solução de massa no Brasil. O principal entrave não é a tecnologia em si, mas a infraestrutura energética necessária para escalar o modelo", afirma o executivo, citado pelo Jornal do Carro.
O problema de infraestrutura é concreto. Segundo a Mirow, embora o país conte com mais de 2.300 estações públicas de recarga rápida em corrente contínua, apenas uma pequena parcela delas é adequada para veículos de médio e grande porte. Pior: muitas rodovias brasileiras não têm acesso próximo a redes de média ou alta tensão — requisito indispensável para instalar carregadores potentes o suficiente para abastecer um caminhão em tempo operacionalmente viável.
Ainda assim, o horizonte não é de estagnação. De acordo com projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da Anfavea, citadas pelo Jornal do Carro, os caminhões elétricos podem alcançar até 8% da frota brasileira até 2030. Chegar lá, porém, exigirá uma combinação de políticas públicas consistentes, redução do custo total de propriedade e, sobretudo, um salto significativo na infraestrutura de recarga ao longo das principais rodovias do país.
Fontes
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