Cilindro de caminhão a gás explode em batida? Engenheiro desfaz os principais mitos
Reservatórios feitos de liga de aço com cromo e molibdênio resistem a impactos e calor — e especialista explica por que o veículo todo se destrói antes de o cilindro ceder.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O crescimento silencioso dos caminhões pesados a gás no Brasil já não pode ser ignorado. Segundo o Jornal do Carro, o segmento saiu do zero em 2019 e acumula hoje mais de 3 mil unidades em circulação, sendo 2.750 delas fabricadas pela Scania em São Bernardo do Campo. Mesmo assim, a tecnologia ainda carrega uma série de equívocos que afastam operadores e assustam quem divide a estrada com esses veículos.
O principal deles é a ideia de que os cilindros de gás explodem facilmente em colisões. O Jornal do Carro ouviu Ricardo Dias, engenheiro e gerente de Qualidade da MAT — empresa brasileira que fabrica cilindros em Jundiaí (SP) —, que descartou o risco de forma categórica: "É mais fácil o caminhão todo ser destruído na batida do que algum cilindro se romper em qualquer impacto viário", afirmou. Os reservatórios seguem a regulamentação internacional UN R110 e passam por ensaios de ciclagem de pressão, impacto, ruptura hidrostática e exposição ao fogo antes de chegar às estradas. Em caso de incêndio, válvulas de segurança redundantes liberam o gás de forma controlada, sem explosão.
No campo do desempenho, a reportagem do Jornal do Carro aponta que os motores ciclo Otto para aplicações pesadas já cobrem a faixa de 210 a 560 cavalos, com performance "quase igual" à dos equivalentes a diesel. A diferença mais perceptível é o ruído: os modelos a gás são até 20% mais silenciosos. A autonomia também evoluiu — com a configuração de cilindros chamada de "mochilão", instalada atrás da cabine, é possível rodar até 650 km com um único abastecimento.
Outro ponto levantado pelo Jornal do Carro diz respeito à origem do combustível. O argumento de que "gás polui igual porque vem do petróleo" não se sustenta quando o veículo roda com biometano, produzido a partir de lixo urbano, resíduos da produção de etanol e dejetos animais — uma fonte renovável e não fóssil. A publicação ressalva, porém, que acidentes em postos de abastecimento envolvendo veículos a gás ocorreram exclusivamente com carros e picapes adaptados de forma irregular, sem qualquer registro envolvendo caminhões fabricados originalmente para esse combustível.
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