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Cinco contradições que definem o comportamento do comprador de carro no Brasil

Da rejeição seletiva a marcas estrangeiras à preferência por cores sóbrias por medo da desvalorização, o consumidor brasileiro acumula hábitos que contradizem seu próprio discurso.

Atualizada em 20 de setembro de 2026 às 09:13· 3 leituras
Cinco contradições que definem o comportamento do comprador de carro no Brasil

O brasileiro é um comprador exigente de automóveis — e com razão, já que a alta carga tributária torna o carro um bem caro e de difícil reposição. Mas essa postura criteriosa no balcão da concessionária convive com uma série de contradições que a Auto+ mapeou em reportagem recente. O resultado é um retrato curioso de um mercado que prega uma coisa e faz outra.

Um dos exemplos mais evidentes, segundo a Auto+, é o preconceito seletivo com a origem das marcas. Consumidores que torcem o nariz para Peugeot e Citroën ignoram que a Renault também é francesa. Quem desconfia de carros chineses, muitas vezes compra sem hesitar um modelo europeu de prestígio montado exatamente na China. A mesma lógica torta aparece no segmento japonês, onde Toyota e Honda gozam de reputação que a Nissan raramente recebe, apesar de operarem sob condições similares.

Outra incoerência apontada pela Auto+ envolve os SUVs: nas redes sociais, entusiastas lamentam o fim das peruas e criticam utilitários esportivos por não terem vocação real para o off-road. Na prática, porém, os dados da Fenabrave mostram que os SUVs lideram os emplacamentos no país, superando até os hatches compactos. A posição elevada de dirigir e a capacidade de lidar com o asfalto esburacado das cidades brasileiras explicam a preferência real, bem diferente do discurso online. Fenômeno parecido ocorre com o câmbio: o mesmo público que valoriza esportivos puros exige transmissão automática até em modelos concebidos para oferecer uma experiência manual intensa, como aponta a publicação.

Por fim, a Auto+ destaca a contradição das cores: os brasileiros reclamam da monotonia visual das ruas, mas na hora de assinar o contrato escolhem branco, prata, cinza ou preto com medo de perder dinheiro na revenda. O mito da desvalorização por cor viva é tão forte que as próprias montadoras reduziram o leque de opções nos catálogos nacionais, alimentando o ciclo que os consumidores dizem detestar.

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