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Ferrari 12Cilindri Manuale: câmbio 'manual' com pedal de embreagem é, na verdade, digital — e pode até apagar o motor

Montadora italiana criou um sistema chamado 'Manuale by-wire' que simula toda a gestualidade do câmbio manual clássico, incluindo trancos e risco de apagar o motor, mas mantém o DCT de oito marchas como transmissão real

Atualizada em 5 de julho de 2026 às 09:00· 3 fontes· 38 leituras
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NOVIDADE FERRARI

Ferrari 12Cilindri ganha câmbio de operação manual

Maranello atende pedido dos clientes com solução técnica inusitada no seu grand tourer de 12 cilindros.

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A Ferrari decidiu dar um passo incomum no mundo dos superesportivos modernos: ouvir os próprios clientes. Segundo o UOL Carros, a Maranello lançou uma versão com câmbio de operação manual para a 12Cilindri, seu grand tourer de topo de linha equipado com motor de 12 cilindros.

O que chama atenção é a natureza da solução. O Notícias Automotivas detalha que a Ferrari recolocou a tradicional alavanca com grelha e os três pedais na 12Cilindri após cerca de dez anos de ausência — mas a alavanca apenas envia comandos digitais ao câmbio DCT de dupla embreagem. A Quatro Rodas acrescenta um dado relevante: a última Ferrari de produção em série com câmbio manual de verdade foi a California, em 2012.

A Quatro Rodas explica que o sistema recebeu o nome oficial de Manuale by-wire. Na prática, o DCT de oito marchas pode se comportar como um câmbio manual de seis marchas, exigindo que o motorista acione o pedal de embreagem a cada troca — mas, se preferir, é possível usar o carro como um automático convencional.

O nível de simulação vai além do simbólico. Conforme a Quatro Rodas detalha, a Ferrari desenvolveu um módulo específico capaz de imitar o movimento direcional da alavanca, gerar trancos intencionais nas trocas mal executadas e até apagar o motor caso o motorista erre o tempo da embreagem — exatamente como aconteceria com um câmbio mecânico real.

Por dentro do sistema, a Quatro Rodas aponta que o pedal de embreagem não tem nenhuma conexão hidráulica ou a cabo com a transmissão. Um sistema passivo com mola e came reproduz a curva de esforço e peso típica de uma embreagem convencional, enquanto um sensor de posição lê a intenção do condutor e coordena as rotações do motor com a caixa de marchas. Toda a interação física é convertida em sinais digitais que comandam a abertura e o fechamento dos discos de embreagem pela central eletrônica. As borboletas atrás do volante foram eliminadas.

O UOL Carros destaca que a decisão de lançar essa configuração veio diretamente dos comentários e solicitações da clientela — algo relativamente raro em uma montadora do segmento de luxo ultra-exclusivo. A Quatro Rodas reforça o raciocínio por trás da escolha: a Ferrari percebeu que a ausência de pedal de embreagem e de alavanca afastava uma parcela de compradores saudosistas das berlinettas do passado, mas não quis retroceder a um câmbio mecânico que limitaria o desempenho do V12.

A abordagem é, portanto, uma espécie de compromisso entre dois mundos: o Notícias Automotivas ressalta que a Ferrari recuperou o ritual e a gestualidade do manual — a grelha, o terceiro pedal, a alavanca — sem abrir mão da eficiência e da velocidade de resposta que só um DCT moderno oferece. Para os puristas mais exigentes, a ausência de uma embreagem mecânica real pode soar como uma concessão. Para a maioria dos clientes que pediu a mudança, o resultado entrega a sensação de envolvimento que faltava nas versões anteriores da 12Cilindri.

A 12Cilindri já era considerada um dos grand tourers mais sofisticados do mercado, e essa novidade reforça seu apelo entre os entusiastas — mesmo que o coração da transmissão continue sendo, ao fim e ao cabo, digital.

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