Fusca destruído, Rural capotada e jornalistas vivos: os acidentes que marcaram uma carreira na imprensa paulista
Repórter de A Tribuna relembra dois graves acidentes de trabalho nas estradas do litoral de São Paulo entre 1970 e 1972.
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Trabalhar como repórter nas décadas de 1970 nunca foi tarefa sem riscos — e as estradas do litoral paulista foram palco de dois episódios que poderiam ter custado vidas. Segundo relato publicado pelo AutoInforme, um jornalista que cobria a região para o jornal centenário A Tribuna, de Santos, sobreviveu a um engavetamento na Via Anchieta e a um capotamento em Peruíbe, ambos durante expedientes de trabalho.
O primeiro acidente aconteceu em um domingo de sol na altura de Cubatão, quando um ônibus carregado de turistas, com freios deficientes e pneus em mau estado, colidiu com o Fusca 1.300 do jornal e o arrastou para baixo de um caminhão. De acordo com o AutoInforme, policiais rodoviários que estavam próximos ao local chegaram a declarar que ninguém teria sobrevivido — mas os três ocupantes saíram com vida. O fotógrafo Anésio Borges levou uma cabeçada no para-brisa e, com o rosto coberto de sangue, acreditou ter perdido a visão; só se acalmou quando o motorista do caminhão lavou seu rosto com água de um pequeno tonel. O repórter saiu com lesão na coluna e precisou de três meses de fisioterapia.
O segundo episódio ocorreu na volta de uma visita a escolas de Peruíbe para o Concurso de Bandas e Fanfarras promovido pelo jornal desde 1960. Conforme narra o AutoInforme, a Rural Willys capotou sem motivo aparente ao entrar em uma curva de estrada de terra, quase caindo em um riacho. Preso pelo cinto abdominal, o repórter apoiou os pés no volante para se soltar, mas o pé escorregou e acertou as costas do motorista Zezinho, fraturando uma costela. O condutor ficou dez dias afastado antes de retornar ao trabalho.
Os dois casos, separados por poucos anos, ilustram uma realidade comum à imprensa do interior paulista na época: repórteres percorriam estradas precárias em veículos do jornal, sem estrutura de segurança além do cinto abdominal, para cobrir desde o movimento de fim de semana nas rodovias até eventos culturais nas cidades do Litoral Sul.
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