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Gurgel Carajás: o jipe brasileiro que colocou o câmbio na traseira para vencer as montanhas

Lançado em 1984, o Carajás usou uma solução inspirada no Porsche 924 para contornar as limitações das transmissões Volkswagen e entregar tração traseira num chassi com motor dianteiro.

Atualizada em 14 de outubro de 2026 às 11:08· 4 leituras
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O jipe brasileiro que colocou o câmbio na traseira

Em 1984, a Gurgel usou uma solução inspirada no Porsche 924 para entregar tração traseira no Carajás.

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A Gurgel já havia consolidado sua fama com os jipinhos de motor boxer Volkswagen refrigerado a ar quando decidiu dar um salto tecnológico em 1984. Segundo a Quatro Rodas, o Carajás foi o primeiro modelo da marca a adotar motor dianteiro refrigerado a água — justamente os propulsores VW que sempre abasteceram a linha da montadora paulista. O nome era uma homenagem à serra paraense e à tribo indígena às margens do Araguaia, e o carro precisava estar à altura: enfrentar subidas íngremes e escorregadias exigia tração traseira, não dianteira como a de Gol ou Passat.

O problema era que as transmissões VW brasileiras da época eram do tipo transeixo, com diferencial incorporado à carcaça — onde o câmbio fosse, a tração ia junto. A saída, conforme aponta a Quatro Rodas, veio de uma solução já vista no Porsche 924: um câmbio VW foi deslocado para o eixo traseiro, conectado ao motor por um tubo de torque. Sem as juntas expostas de um cardã convencional, o sistema ficava mais protegido das condições adversas do terreno. O resultado prático foi uma distribuição de massas mais equilibrada entre os eixos e suspensão independente nas quatro rodas, o que também garantia um vão livre mais plano — sem o diferencial protuberante típico dos 4x4 da época.

O Carajás não tinha tração integral, mas contava com o Seletraction, sistema que travava uma das rodas traseiras para concentrar toda a força na oposta — uma ajuda nos atoleiros leves, segundo a Quatro Rodas. A linha de motorizações incluía o AP 1800 a gasolina e a álcool, além de uma versão diesel com o 1.6 da Kombi, capaz de rodar mais de 1.500 km com um tanque. O jipe ainda vinha em quatro configurações de carroceria — Teto Rígido, Teto de Lona, Rígido Lona e Modelo Militar — e duas versões de acabamento, sendo a de luxo equipada com vidros verdes e claraboia com direcionamento individual de ar para cada passageiro.

A Quatro Rodas testou as três motorizações do Carajás em junho de 1986, na edição 311, e elogiou o espaço interno, o porta-malas de 496 litros e o sistema de ventilação. O painel era uma colcha de retalhos funcional: mostradores de Ford F-1000, instrumentos de Gol e Fiat 147 dividiam espaço com um volante Volkswagen. Cada fechadura tinha sua própria chave — Mercedes nos portais, Fiat no tanque, VW no porta-malas e, num involuntário toque de sofisticação, a chave de ignição era do Landau. O ponto fraco identificado no teste foi a visibilidade frontal prejudicada pelo estepe montado sobre o capô, ao estilo Land Rover, especialmente para motoristas abaixo de 1,70 m.

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