Lotus Europa: o esportivo dos anos 1960 que a imprensa comparava a um Fórmula 1 de rua
Leve, rápido e com motor central-traseiro, o Europa nasceu da mesma filosofia que levou a Lotus ao topo da F1.
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O Lotus Europa surgiu em 1966 como uma espécie de destilado das ideias que Colin Chapman aplicava nos carros de corrida da Team Lotus — equipe que, segundo a Quatro Rodas, conquistou sete títulos mundiais de Fórmula 1 naquela época. O projeto, internamente chamado de Lotus 46, nasceu de uma negociação frustrada: o diretor Ron Hickman havia apresentado à Ford uma proposta que poderia ter resultado no GT40, mas o acordo não avançou e a montadora americana fechou com a Lola Cars. Chapman então redirecionou o conceito para um esportivo de rua voltado ao mercado europeu — daí o nome Europa.
A Quatro Rodas aponta que a receita técnica era simples e eficaz: chassi de espinha dorsal em chapas de aço soldadas, carroceria de fibra de vidro colada à estrutura para maximizar a rigidez torcional, motor Renault de 1,5 litro com 82 cv posicionado centralmente e apenas 610 kg na balança. O resultado era um coeficiente aerodinâmico de 0,29 e desempenho impressionante para a época — 0 a 96 km/h em 9,3 segundos e velocidade máxima de 195 km/h. A publicação destaca que a imprensa especializada da época classificava o Europa S1 como o automóvel de rua que mais se aproximava de um Fórmula 1, graças às suspensões independentes nas quatro rodas e aos freios a disco.
O conforto, porém, ficava em segundo plano. Conforme a Quatro Rodas descreve, os primeiros exemplares não tinham maçanetas nas portas, o espaço interno era bastante restrito e o único ajuste disponível ao motorista era o da pedaleira. Menos de 650 unidades do S1 foram fabricadas até 1968, todas para a Europa. A versão de pista derivada, o Lotus 47, foi ainda mais radical: motor Cosworth de 165 cv, câmbio Hewland de cinco marchas e produção estimada em menos de 70 unidades.
A evolução veio com o Europa S2, lançado em meados de 1968, que trouxe bancos ajustáveis, vidros elétricos e interior mais refinado — a carroceria passou a ser parafusada ao chassi para facilitar reparos. Segundo a Quatro Rodas, foram produzidas pouco mais de 3.600 unidades dessa versão. Em 1971 chegou o Europa Twin Cam, com motor Lotus-Ford de 1,6 litro, duplo comando de válvulas e 105 cv, consolidando o modelo como referência entre os esportivos acessíveis da era.
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