Monza, Santana e Versailles: o duelo pelo trono do luxo brasileiro em 1991
Três sedãs rivais disputaram palmo a palmo o posto de carro mais sofisticado do país — e o resultado surpreendeu.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O ano era 1991 e o mercado brasileiro vivia um momento raro: três montadoras lançavam quase simultaneamente seus sedãs mais sofisticados. General Motors, Volkswagen e Ford colocaram na pista o Monza Classic SE MPFI, o Santana GLS 2000i e o Versailles 2.0i Ghia — e a Quatro Rodas aproveitou a ocasião para um confronto direto, publicado na edição de agosto daquele ano, a fim de eleger o rei do segmento de luxo nacional.
Dentro do habitáculo, o Monza se destacava pela ousadia, segundo a Quatro Rodas: painel digital com escalas coloridas, regulagem de altura do volante e som digital com sistema antifurto eram diferenciais impressionantes para a época. Porém, tanto o Monza quanto o Santana carregavam um problema em comum — uma divisória no encosto do banco traseiro que funcionava como apoio de braço, mas limitava a ocupação a dois passageiros. O Versailles escapava dessa restrição e acomodava três pessoas no banco de trás sem aperto, uma vantagem prática que pesou na avaliação.
No desempenho, a Quatro Rodas aponta que a dupla da Autolatina — a joint venture entre Volkswagen e Ford que existiu de 1987 a 1996 — levou clara vantagem. Santana e Versailles ultrapassaram os 175 km/h e assumiram a liderança entre os carros mais velozes do país, beneficiados pelo motor AP-2000i com ignição EZK, um sistema que protegia o propulsor contra detonações causadas por combustível de má qualidade. O Monza, por sua vez, foi superior apenas na aceleração de 0 a 100 km/h, cruzando a marca sem ultrapassar os 11 segundos — desempenho que seus rivais não conseguiram igualar. Na estabilidade em curvas, porém, a revista cravou que o sedã da Chevrolet ficou para trás, prejudicado por uma calibragem de suspensão voltada ao conforto em detrimento da esportividade.
A aerodinâmica também separou os campos: a Quatro Rodas destaca que Santana e Versailles eliminaram as calhas do teto por meio de uma técnica de soldagem mais moderna, ganhando altura interna e coeficiente aerodinâmico superior. O Monza manteve as calhas intactas, o que limitou seu ganho de velocidade máxima a apenas 1 km/h em relação ao modelo anterior. No balanço geral do teste histórico, a dobradinha da Autolatina saiu na frente em velocidade, estabilidade e aerodinâmica, enquanto o Monza compensou com maior sofisticação de equipamentos e uma arquitetura mecânica mais moderna, com motor e câmbio em posição transversal.
Fontes
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