O primeiro Fiat fabricado no Brasil completou 50 anos e tem história improvável
Sorteado entre concessionárias, o 147 de chassi 0000001 foi parar no Rio de Janeiro — e a Fiat chegou a oferecer uma carreta de carros novos para recuperá-lo.
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Em 9 de julho de 1976, um Fiat 147 L prata saía da recém-inaugurada fábrica de Betim (MG) com a placa de chassi número 000001 — o primeiro automóvel Fiat produzido em série no Brasil. Segundo a Quatro Rodas, o modelo só seria lançado oficialmente ao público em setembro daquele ano, mas o exemplar pioneiro já estava pronto e foi exibido no Salão do Automóvel de 1976 antes de seguir um destino inusitado.
A Quatro Rodas aponta que, em vez de ir para o acervo da própria montadora, o carro foi doado à Associação Brasileira de Revendedores Autorizados de Veículos (Abrave), entidade que deu origem à atual Fenabrave. A associação não ficou com a relíquia: sorteou o 147 entre as concessionárias Fiat, e quem levou o prêmio foi a Milocar, do bairro de Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. A concessionária soube valorizar a peça, expondo o carro em uma sala de vidro no meio do salão por anos a fio.
O apego ao exemplar chegou a custar caro ao dono da Milocar, Jorge Ribeiro. Segundo a Quatro Rodas, em 1986 ele confirmou à revista ter recusado uma proposta da própria Fiat de trocar o 147 L por uma carreta com dez unidades do 147 C zero-quilômetro. 'Mas não adianta, que eu não troco nem por uma carreta de Elba', disse Ribeiro à época, acrescentando que chegou a rejeitar ofertas de colecionadores de até 600.000 cruzados — equivalentes a cerca de R$ 500.000 em valores corrigidos pelo IPCA.
A Quatro Rodas também registra que o carro acumulou parte de sua quilometragem justamente por conta da própria revista: em agosto de 1986, o 147 de chassi 1 foi colocado frente a frente com um dos últimos 147 C produzidos, em um comparativo que escancarava tanto a importância histórica do modelo — pioneiro na disposição transversal de motor e câmbio no mercado nacional — quanto suas limitações técnicas após uma década, como o coeficiente aerodinâmico de 0,50 Cx, o pior do Brasil naquele momento. Um detalhe curioso também emergiu no teste: o motor do exemplar original havia sido calibrado para gasolina pura com chumbo tetraetila, o que fazia com que ele não se desse bem com a gasolina da época, já misturada com 22% de etanol.
Fontes
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