PAG Dacon 928: o esportivo brasileiro que disfarçava um Gol com cara de Porsche
Criado em 1984 sobre a plataforma do Gol GT, o raro cupê nacional combinava visual inspirado no Porsche 928 com motor ampliado para dois litros.
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Segundo a Quatro Rodas, o PAG Dacon 928 nasceu de uma combinação improvável: a plataforma do recém-lançado Gol GT e uma carroceria de fibra de vidro claramente inspirada no Porsche 928. O projeto foi desenvolvido em 1984 pela PAG — Projects d'Avant Garde —, empresa fundada pelo engenheiro Paulo de Aguiar Goulart em Santana de Parnaíba (SP) como braço criativo da tradicional concessionária paulistana Dacon, que acumulava décadas de prestígio no automobilismo nacional com seus Karmann-Ghia motorizados por Porsche.
A Quatro Rodas explica que o contexto era de sobrevivência: o Decreto-Lei nº 1.455/1976 havia barrado as importações, e a recessão dos anos 1980 tornava qualquer investimento arriscado. A saída foi usar o que estava disponível no mercado local. O capô alongado integrava-se tão bem aos para-lamas que o para-brisa original do Gol mal aparecia, e toda a traseira — porta do porta-malas e vidros — era exclusiva do modelo. Portas redesenhadas mantinham a estrutura de origem para conter custos.
A publicação destaca que a mecânica também escapava do padrão de série: a cilindrada foi elevada de 1.781 cm³ para 2.006 cm³ com pistões de 84 mm e virabrequim de 90,5 mm de curso, antecipando em anos o motor 2.0 que a própria Volkswagen só lançaria depois. A potência declarada parava em 99 cv por razões tributárias, mas o torque adicional era sentido na direção — e a Quatro Rodas aponta que a 180 km/h o carro transmitia a sensação de estar a apenas 120 km/h, tamanho o equilíbrio aerodinâmico da carroceria.
Ninguém sabe ao certo quantas unidades foram produzidas, tornando o PAG Dacon 928 um dos carros mais raros da história automotiva brasileira, conforme a Quatro Rodas. O modelo foi sucedido pelo Nick, em 1987, e pelo Chubby, em 1990, mas a PAG encerrou as atividades em 1991, logo após a abertura das importações que havia motivado sua criação. A Dacon resistiu até 1996, encerrando um capítulo singular do mercado automotivo nacional.
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