Por que a autonomia de carros elétricos 'cai' quando são lançados no Brasil
Metodologia nacional de medição difere dos padrões europeu e americano e gera números sistematicamente mais conservadores — sem que o carro tenha mudado uma linha sequer
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Um fenômeno curioso se repete toda vez que uma montadora lança um elétrico importado no Brasil: o mesmo modelo que ostenta centenas de quilômetros de autonomia lá fora chega aqui com números bem menos impressionantes. Segundo o UOL Carros, a explicação está na metodologia de medição adotada pelo país, que difere dos padrões europeu (WLTP) e americano (EPA) — os mais usados globalmente.
O Brasil utiliza o ciclo NBR, norma técnica nacional desenvolvida pelo Inmetro em conjunto com a ABNT. Conforme aponta o UOL Carros, esse protocolo foi originalmente criado para veículos a combustão e, ao ser adaptado para elétricos, acabou gerando resultados sistematicamente mais conservadores do que os obtidos nos testes internacionais. Na prática, isso significa que um carro com 400 km de autonomia certificados na Europa pode aparecer com 300 km ou menos no rótulo brasileiro.
A diferença não é apenas burocrática: ela afeta diretamente a percepção do consumidor e a competitividade dos modelos no mercado local. De acordo com o UOL Carros, montadoras chegam a trabalhar com duas fichas técnicas distintas para o mesmo veículo — uma para o mercado de origem e outra exclusiva para o Brasil —, o que gera confusão e, muitas vezes, frustração na hora da compra.
O debate sobre uma eventual harmonização do ciclo brasileiro com padrões internacionais ainda está longe de ser resolvido. O UOL Carros ressalta que, enquanto isso não acontece, o Brasil segue sendo o único grande mercado do mundo onde os elétricos, na teoria, 'andam menos' — não por limitação tecnológica, mas por uma questão de como a régua é aplicada.
Fontes
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