50 anos da Fiat no Brasil: os bastidores da aposta em Minas Gerais que mudou a indústria automotiva nacional
Parceria inédita com o governo estadual, logística desafiadora e uma fábrica erguida em tempo recorde explicam como a montadora italiana saiu do zero ao Fiat 147 em apenas três anos.
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Quando a Fiat anunciou, em março de 1973, que construiria uma fábrica no Brasil, o desafio era monumental: enfrentar Volkswagen, Ford e General Motors — marcas já consolidadas no país e com investimentos há muito amortizados. A escolha de Betim, em Minas Gerais, em vez do óbvio ABC paulista, foi a primeira grande aposta dos italianos — e, segundo a Quatro Rodas, não foi tomada por acaso.
A revista aponta que um fator decisivo foi a proposta do governo mineiro de entrar com pouco mais de 40% de participação no empreendimento, algo que São Paulo e Paraná, apesar de oferecerem incentivos fiscais, jamais chegaram a propor. Além disso, o estado bancou toda a infraestrutura do entorno: estradas, acesso à rodovia São Paulo–Belo Horizonte, energia elétrica, água e telefonia. O terreno de 2,25 milhões de metros quadrados foi cedido pela prefeitura de Betim por um valor simbólico. À época, a cidade tinha menos de 40 mil habitantes — hoje são 400 mil, reflexo direto do polo industrial que se formou ao redor da montadora.
A construção também guardou suas surpresas. A Quatro Rodas relata que, contrariando a preferência da matriz italiana, a gestão local dividiu as obras entre várias pequenas e médias construtoras. A decisão, lembrada pelo primeiro presidente da Fiat no Brasil, Adolfo Neves Martins da Costa, reduziu custos, evitou dependência de grandes empreiteiras e entregou a fábrica antes do prazo — para espanto de Turim. Da terraplanagem, iniciada em 1974, ao lançamento do Fiat 147, em setembro de 1976, foram apenas dois anos. Mas a distância dos fornecedores paulistas obrigou a empresa a manter estoques elevados por mais de uma década, problema que só começou a ser resolvido a partir de 1987, com o processo de 'mineirização' das compras, conforme destaca a Quatro Rodas. Hoje, 70% das autopeças usadas pela Fiat em Betim vêm de empresas sediadas em Minas Gerais.
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