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A Tailândia abriu as portas para os carros elétricos chineses e agora tenta conter o estrago

O país que foi chamado de 'Detroit do Oriente' vive uma crise industrial sem precedentes após a chegada em massa das montadoras da China.

Atualizada em 21 de outubro de 2026 às 15:02· 4 leituras
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A 'Detroit do Oriente' abriu as portas para os chineses e agora tenta conter o estrago

Como a invasão dos elétricos da China desmantelou a maior base industrial automotiva do Sudeste Asiático.

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Durante décadas, as montadoras japonesas construíram na Tailândia uma das maiores bases industriais automotivas do mundo. O país chegou a ser chamado de 'Detroit do Oriente'. Mas, segundo o Jornal do Carro (Estadão), esse cenário mudou radicalmente nos últimos cinco anos: marcas chinesas como BYD e Great Wall Motor instalaram fábricas na região de Rayong, ocuparam plantas que pertenciam à GM e à Suzuki, e hoje controlam cerca de 85% do mercado de veículos elétricos tailandês — fatia que era praticamente inexistente há quatro anos.

A velocidade da transformação pegou todos de surpresa. Conforme aponta o Jornal do Carro, Subaru e Suzuki fecharam suas fábricas no país entre 2024 e 2025, enquanto Nissan e Honda cortaram drasticamente a produção. O golpe se espalhou pela cadeia de fornecedores: empresas de autopeças ligadas às japonesas faliram, ameaçando cerca de 700 mil postos de trabalho. Supavud Saicheua, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social da Tailândia, reconheceu ao veículo que 'a mudança foi muito mais rápida do que qualquer um previa' e que 'as consequências foram muito piores do que imaginávamos'.

O Jornal do Carro destaca que o problema vai além do fechamento de fábricas. Ruth Banomyong, professor de gestão de cadeia de suprimentos da Universidade Thammasat e ex-assessor do Ministério do Comércio tailandês, explica que as montadoras chinesas operam em um 'ecossistema fechado', mantendo o núcleo tecnológico na China e dificultando a integração de fornecedores locais. Seus estudos apontam que até 300 mil empregos podem desaparecer nos próximos cinco anos caso os elétricos dominem o mercado. Para tentar frear a sangria, o governo tailandês criou uma tabela de impostos em três faixas, penalizando quem só importa sem produzir localmente — mas analistas ouvidos pelo Jornal do Carro têm dúvidas sobre a eficácia da medida.

O caso tailandês é apresentado pelo Jornal do Carro como um alerta direto para o Brasil e para outros mercados emergentes que avaliam abrir espaço para os elétricos chineses. O apelo dos modelos vindos da China é real — telas grandes, tecnologia de condução autônoma e preços competitivos —, mas a velocidade da penetração pode desmontar cadeias produtivas inteiras antes que qualquer política industrial consiga reagir. Nos primeiros sete meses de 2026, dois terços dos elétricos vendidos na Tailândia foram importados diretamente da China, reforçando o diagnóstico de que o ganho local, por enquanto, é mínimo.

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