Casa Branca mistura Rolls-Royce de carros com fabricante de motores de avião ao defender empregos nos EUA
Governo americano citou investimentos da empresa aeronáutica Rolls-Royce como se fossem da montadora britânica de luxo para justificar política industrial.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O governo dos Estados Unidos cometeu uma gafe de dar o que falar no setor automotivo. Segundo o Notícias Automotivas, a Casa Branca divulgou material defendendo a produção industrial americana e, ao citar investimentos da Rolls-Royce, misturou duas empresas completamente distintas que apenas compartilham o mesmo nome: a fabricante britânica de automóveis de ultraluxo e a Rolls-Royce Holdings, gigante aeronáutica que produz motores para aviões e nada tem a ver com carros.
De acordo com o Notícias Automotivas, o material da Casa Branca também mencionou a Ford e outras montadoras para reforçar o argumento de que as tarifas impostas pela administração Trump estariam incentivando a abertura e manutenção de fábricas em solo americano. A estratégia de comunicação buscava mostrar que a política protecionista gera resultados concretos em geração de empregos e investimentos industriais no país.
O problema, conforme aponta o Notícias Automotivas, é que a Rolls-Royce de carros — controlada pelo grupo BMW desde 1998 — opera sua única fábrica em Goodwood, na Inglaterra, e não possui plantas nos Estados Unidos. Já a Rolls-Royce Holdings, empresa aeronáutica com sede em Derby, no Reino Unido, de fato mantém operações industriais em território americano, o que explica a origem da confusão. As duas empresas se separaram definitivamente em 1973 e atuam em mercados absolutamente diferentes.
O deslize expõe a fragilidade do embasamento técnico usado pelo governo americano para justificar suas políticas tarifárias, segundo o Notícias Automotivas. Usar dados de uma fabricante de turbinas para aviões como prova de que o setor automotivo está respondendo positivamente às tarifas é, no mínimo, um argumento que não se sustenta — e que passou pelo crivo da comunicação oficial da Casa Branca sem qualquer correção antes da divulgação.
Fontes
Notícias relacionadas
IndústriaVolkswagen aprova corte de 50 mil vagas e reestruturação histórica que pode custar até R$ 95,7 bilhões
O 'Future Plan' é o maior processo de transformação em 89 anos da montadora alemã, com fábricas em risco e pressão crescente da concorrência chinesa
IndústriaVolkswagen aprova corte de 50 mil empregos enquanto Alemanha atinge menor nível de emprego automotivo desde 2005
Transição para elétricos destrói postos de trabalho mais rápido do que os cria, e a VW ainda aponta capacidade ociosa para 500 mil veículos por ano.
IndústriaHonda ultrapassa 1 milhão de motos emplacadas em oito meses e consolida domínio absoluto no Brasil
Marca japonesa bate marca histórica antes do fim do ano, com CG, Biz, Pop e Bros liderando as vendas no segmento de entrada.
IndústriaPorsche vende fatia na Bugatti Rimac por R$ 5,98 bilhões em grande reestruturação
Montadora alemã encerra sociedade com a joint venture de supercarros elétricos e embolsa quase R$ 6 bilhões na operação.
IndústriaDas motos aos carros: as sete vezes em que a Yamaha tentou conquistar o mercado automobilístico
Fabricante japonesa, famosa por motocicletas icônicas, teve tentativas frustradas e curiosas de emplacar projetos de automóveis ao longo de sua história.
IndústriaFord Ranger Super Duty 6×6 disputa contrato bilionário para equipar o Exército Britânico
Picape adaptada para uso militar concorre com Defender e propostas da GM e Ineos em processo seletivo avaliado em quase R$ 35 bilhões.

