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Chery quer usar fábricas da Ford e GM para vender carros na América do Norte

Montadora chinesa propõe parcerias com fabricantes americanos e oferece remover todos os componentes digitais de origem chinesa para driblar tarifas de 100%.

Atualizada em 23 de outubro de 2026 às 11:10· 5 leituras
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ESTRATÉGIA GLOBAL

Chery quer usar fábricas da Ford e GM para entrar nos EUA

Montadora chinesa propõe parceria e promete eliminar toda tecnologia digital chinesa de seus carros.

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A Chery, gigante chinesa dona das marcas Omoda e Jaecoo, está disposta a fazer concessões radicais para entrar no mercado norte-americano. Em entrevista à Reuters, o vice-presidente da empresa, Charlie Zhang, revelou que a montadora está aberta a firmar parcerias com fabricantes dos Estados Unidos e, se necessário, eliminar todos os componentes e sistemas digitais de origem chinesa de seus veículos para cumprir as exigências regulatórias do país.

A estratégia visa contornar as tarifas de 100% impostas pelo governo americano sobre carros chineses e as restrições a softwares do país asiático — as mesmas regras que, segundo a Auto+, forçaram a Polestar, do grupo Geely, a abandonar as operações nos EUA. Segundo o Carscoops.com, citado pela Auto+, a Chery afirma ser capaz de entregar tanto arquitetura de hardware quanto pacotes de software completamente livres de tecnologia chinesa, abrindo caminho para que uma Ford ou uma General Motors fabrique modelos da marca em suas plantas ociosas.

O apetite da Chery tem respaldo em resultados concretos. A Auto+ destaca que, em março, o Jaecoo 7 liderou o ranking geral de vendas do Reino Unido, tornando-se o primeiro carro de uma marca chinesa a conquistar o topo do mercado britânico. No México, a presença já é realidade comercial, e a estreia no Canadá está prevista para o início de 2027. Para a diretoria da empresa, a América do Norte é o próximo alvo natural.

A manobra lembra o movimento de Toyota, Honda e Nissan nos anos 1980, quando as japonesas passaram a produzir localmente para driblar o protecionismo americano. A Auto+ aponta, porém, que a maior resistência pode vir do United Auto Workers (UAW), o poderoso sindicato dos metalúrgicos de Detroit, que tende a enxergar qualquer acordo do tipo como uma ameaça à indústria nacional. O próprio CEO da Ford, Jim Farley, já alertou que as marcas chinesas devem cruzar a fronteira americana entre cinco e dez anos.

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