Chineses dobram emplacamentos no Brasil enquanto indústria nacional perde espaço
Dados da Anfavea revelam que veículos importados já respondem por 23% do mercado, com crescimento acima de 100% para os modelos vindos da China.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O mercado automotivo brasileiro cresce em 2026, mas o ritmo das vendas supera com folga o da produção nacional — e a diferença está sendo preenchida por importados. Segundo a AutoInforme, os dados apresentados pela Anfavea mostram que os emplacamentos acumulados até setembro somaram 2,159 milhões de unidades, alta de 18% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a produção avançou apenas 8,7% no mesmo intervalo.
O protagonista dessa transformação é a China. De acordo com a AutoInforme, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou que os veículos chineses registraram crescimento superior a 100% nos emplacamentos, e que hoje 23% do mercado brasileiro é abastecido por importados. Calvet foi além: o problema não se limita ao Brasil. "O mundo padece desse ritmo de avanço dos chineses", afirmou, alertando que a competição chinesa também pressiona os mercados sul-americanos que historicamente absorvem veículos fabricados no país.
A AutoInforme aponta ainda que as importações em geral cresceram cerca de 30%, com desempenhos bastante distintos por origem: enquanto os chineses mais que dobraram sua presença, os argentinos viram suas vendas recuar 14%. Outro vetor de crescimento é o programa Carro Sustentável, lançado em julho de 2025, que já acumula cerca de 632 mil veículos vendidos e representa aproximadamente 18% das vendas totais, segundo o veículo.
Nem todos os segmentos acompanham a euforia do mercado de automóveis. Conforme a AutoInforme, caminhões acumulam queda de 2,8% no ano, com retração de 4,4% só em setembro, e ônibus registram recuo ainda mais expressivo, de 17%. Mesmo assim, a Anfavea revisou para cima suas projeções: crescimento de 15% nos emplacamentos e 7,6% na produção até o fim do ano. A ressalva fica por conta das exportações, para as quais a entidade prevê queda de 17,6% — reflexo direto da concorrência chinesa nos mercados vizinhos.
Fontes
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