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De K.I.T.T. a eVTOLs: o que os carros da ficção científica dizem sobre o que a humanidade quer e teme

Escritor especialista em afrofuturismo analisa como automóveis imaginários revelam a ambiguidade da relação humana com a tecnologia.

Atualizada em 8 de novembro de 2026 às 09:11· 10 leituras
De K.I.T.T. a eVTOLs: o que os carros da ficção científica dizem sobre o que a humanidade quer e teme

Segundo o Jornal do Carro, do Estadão, os automóveis que habitam o imaginário da ficção científica — de K.I.T.T., o Pontiac Firebird falante de 'Super Máquina', ao DeLorean que viaja no tempo em 'De Volta para o Futuro' — nunca foram apenas veículos. Eles funcionam como espelhos de uma sociedade que oscila entre a euforia tecnológica e o pavor de perder o controle sobre suas próprias criações.

O Jornal do Carro ouviu Ale Santos, escritor e roteirista especializado em afrofuturismo, que aponta raízes históricas nessa dualidade. Para ele, o movimento futurista italiano do início do século 20 já celebrava velocidade e máquinas como sinônimos de progresso — mas a cultura pop logo respondeu com narrativas sombrias, como a do carro assassino Christine, de Stephen King, em que um automóvel age por ciúme e rancor. 'Tem sempre uma máquina do bem e uma máquina do mal', resume o escritor à publicação, destacando que esse alerta nunca saiu de moda.

A reportagem do Jornal do Carro também traça um paralelo entre o carro voador da ficção — presente desde o 'Metrópolis' de Fritz Lang, em 1927 — e os projetos reais de eVTOLs (veículos elétricos de decolagem vertical) que começam a ganhar forma hoje. Ale Santos, porém, pede cautela: segundo ele, a promessa de uma tecnologia perfeita se repete desde a virada do século 20 sem nunca se cumprir integralmente, e o mesmo ceticismo vale para os discursos apocalípticos. A distância entre o conceito futurista e a escala real de funcionamento, observa a publicação, continua sendo o maior obstáculo.

Por fim, o Jornal do Carro destaca que Ale Santos questiona o uso do imaginário da ficção científica como ferramenta de marketing por empresas de tecnologia. Para o escritor, mais relevante do que a promessa impressionante é perguntar a quem determinada inovação realmente serve — uma reflexão que, segundo ele, a ficção científica já faz há décadas, muito antes de qualquer lançamento de produto.

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