Elétrico de 1918 vai a leilão por mais de R$ 520 mil — e ainda anda com motor original
Detroit Electric Model 75B Brougham sobreviveu mais de um século com mecânica intacta, mas precisou de baterias modernas para voltar a rodar.
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Um carro elétrico fabricado em 1918 foi a estrela de um leilão da Mecum durante a Monterey Car Week, nos Estados Unidos. Trata-se de um Detroit Electric Model 75B Brougham que, segundo a Quatro Rodas, mantém seu motor original intacto após mais de cem anos — feito raro no universo do colecionismo automotivo. O valor estimado superava R$ 520 mil, mas o veículo acabou sem comprador: a Mecum não conseguiu fechar negócio com nenhum dos lances apresentados.
O principal obstáculo para recolocar o cupê em movimento foi o mesmo que assombra restauradores de elétricos antigos: as baterias originais simplesmente não têm conserto viável. A Quatro Rodas aponta que, diferentemente de motores a combustão — que podem ser reconstruídos com usinagem e peças novas —, células centenárias não oferecem alternativa de recuperação. A solução adotada foi instalar um conjunto moderno de baterias, cujo fabricante não foi revelado pelo leiloeiro. A publicação observa que o uso de módulos descartados de modelos como o Nissan Leaf ou de híbridos acidentados já virou prática comum nesse nicho, estratégia adotada inclusive pelo apresentador e colecionador Jay Leno em seu Detroit Electric de 1914.
A troca, porém, cria um dilema clássico entre usabilidade e originalidade. Conforme destaca a Quatro Rodas, avaliadores de competições concours costumam penalizar alterações mecânicas que descaracterizem o projeto de fábrica — mesmo quando o vendedor afirma que o processo seguiu os padrões exigidos por essas competições. No sistema original, o carro entregava autonomia de cerca de 128 km e velocidade máxima de 32 km/h; os números atuais com a nova arquitetura de energia não foram divulgados.
A história por trás do Model 75B é tão curiosa quanto o veículo em si. A Quatro Rodas lembra que a Detroit Electric nasceu da Anderson Carriage Company, fundada em 1884, e lançou seu primeiro carro a bateria em 1907 — não por convicção ambiental, mas porque os motores a combustão da época eram barulhentos, fedorentos e exigiam manivelas pesadas para dar partida. O público-alvo era predominantemente feminino, e o interior do cupê refletia isso: o motorista guiava o carro de frente para os passageiros, usando um manche direcional, em uma cabine decorada como sala de visitas. Quase um século antes do Volkswagen New Beetle, o elétrico americano já trazia vasinhos de flores integrados ao acabamento interno. Até Henry Ford e o então presidente da Packard, Henry Joy, compraram modelos da marca para suas esposas, segundo a publicação.
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