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Fim da escala 6x1 deve atingir caminhoneiros, mas setor já não tem motoristas para contratar

Mudança constitucional exigirá mais trabalhadores no transporte rodoviário, segmento que já enfrenta escassez crônica de mão de obra.

Atualizada em 23 de outubro de 2026 às 09:02· 2 leituras
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TRANSPORTE & LEGISLAÇÃO

Fim da escala 6x1 ameaça setor que já falta 240 mil motoristas

Nova emenda constitucional exigirá mais contratações num mercado que já não tem mão de obra.

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A aprovação da Emenda Constitucional 141/2026, que encerra a escala 6x1 e garante dois dias de descanso semanal sem corte de salário, deverá alcançar também os caminhoneiros com carteira assinada — e o setor de transporte rodoviário de cargas está longe de estar preparado para absorver essa mudança. Segundo o Jornal do Carro (Estadão), a transição começa em 15 de dezembro, quando a jornada máxima semanal recua de 44 para 42 horas, e chega a 40 horas doze meses depois.

A aplicação das novas regras à categoria, no entanto, ainda gera incertezas jurídicas, já que os motoristas profissionais também estão sujeitos à Lei do Motorista (Lei 13.103/2015), com normas próprias para tempo ao volante e pausas obrigatórias. O Estradão aponta que o ministro dos Transportes, George Santoro, reconheceu a necessidade de harmonizar as duas legislações, admitindo que isso poderá ocorrer por acordos coletivos ou normas infraconstitucionais. Gislaine Zorzin, diretora da Zorzin Logística e da ABTLP, disse ao Estradão não enxergar base legal para excluir motoristas da emenda: para ela, apesar da atividade essencial, o caminhoneiro continua sendo um trabalhador regido pela CLT.

O problema mais imediato, segundo o Jornal do Carro (Estadão), é a falta de mão de obra. A própria Gislaine relatou ter cerca de 20 caminhões parados por ausência de motoristas disponíveis, e alertou que operações menores de jornada vão demandar um efetivo maior que simplesmente não existe no mercado hoje. Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), citados pelo Estradão, estimam que seriam necessários cerca de 240 mil trabalhadores adicionais para manter a continuidade dos serviços, com alta de 8,6% nos custos com pessoal. Outra pesquisa da mesma entidade revelou que 65,1% das transportadoras já relatavam dificuldade para contratar e que 44,6% tinham vagas abertas.

Além da contratação, o Estradão destaca que a empresária alerta para riscos de queda de produtividade, redução da capacidade de frota e aumento dos custos operacionais — pressões que, na avaliação dela, tendem a se refletir no valor do frete e, em cadeia, nos preços ao consumidor final, caso não haja investimentos paralelos em tecnologia e qualificação profissional.

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