Financiamento de veículos tem melhor primeiro semestre em 18 anos, mesmo com juros nas alturas
Brasil registrou 3,78 milhões de contratos de janeiro a junho de 2026, maior volume desde 2008, impulsionado pela maior oferta de crédito.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O mercado de crédito automotivo brasileiro surpreendeu no primeiro semestre de 2026. Segundo a Quatro Rodas, foram firmados 3,78 milhões de contratos de financiamento entre janeiro e junho — o maior volume registrado para esse período desde 2008, quando o país contabilizou 4,23 milhões de operações. Os números contemplam automóveis leves, motos e veículos pesados, tanto novos quanto usados, e foram levantados pela Trillia, braço de análise de dados da B3.
O que torna o resultado ainda mais expressivo, aponta a Quatro Rodas, é o contexto econômico adverso: com a Selic em 14,25% ao ano, as taxas de juros para compra de veículos oscilam entre 25% e 30% ao ano. Ainda assim, o volume cresceu. A explicação, segundo Thiago Gaspar, superintendente de relacionamento com clientes da Trillia, está na maior organização e transparência do mercado, incluindo ferramentas como o Sistema Nacional de Gravames (SNG), que reduz riscos para bancos e financeiras e viabiliza uma concessão de crédito mais ágil e segura.
A Quatro Rodas detalha que os veículos usados lideram as transações: foram 2,38 milhões de unidades financiadas no semestre, contra 1,39 milhão de novos. No segmento de automóveis e comerciais leves, junho de 2026 registrou 434 mil unidades financiadas, alta de 11,9% na comparação anual. O prazo médio dos contratos também se alongou, passando de 46,3 para 47,2 meses no acumulado do semestre — reflexo direto do esforço dos consumidores para encaixar as parcelas no orçamento diante dos juros elevados.
No recorte regional, a Quatro Rodas aponta que o Sudeste concentrou 42,1% das operações, mas foi o Centro-Oeste que apresentou o maior crescimento proporcional: 13,1% em relação ao primeiro semestre de 2025, superando todas as demais regiões do país. O Norte registrou o avanço mais tímido, de apenas 4,4%.
Fontes
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