Fumaça preta em caminhões: fiscalização existe no papel, mas some das ruas
Apesar de multas e equipamentos previstos em lei desde 1997, agentes de trânsito ignoram veículos pesados poluindo nas cidades.
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O Brasil tem lei, tem equipamento e tem multa — o que falta é fiscalização. Segundo a AutoInforme, a obrigatoriedade do uso do opacímetro por agentes de trânsito para medir a densidade da fumaça emitida por motores a diesel foi estabelecida pela Resolução nº 427 do CONTRAN, publicada em 2013, embora o Código de Trânsito Brasileiro já previsse a medida desde 1997. Quem é flagrado com emissão irregular leva multa de R$ 195,23, perde cinco pontos na CNH e ainda tem o veículo retido para regularização. Na prática, porém, a norma parece letra morta.
A AutoInforme relata que, na Avenida Rebouças, em São Paulo, um caminhão-guincho foi flagrado despejando fumaça preta densa — e ao menos três viaturas da CET passaram pelo veículo sem tomar qualquer providência. O mesmo caminhão ainda estava no local na viagem de volta, desta vez carregando uma Blazer e continuando a poluir o ar da capital. O episódio ilustra um problema sistêmico: veículos pesados mais antigos circulam livremente emitindo poluentes proibidos, enquanto a fiscalização que existia nas estradas nos anos 1990 simplesmente desapareceu.
O contraste com os veículos mais novos é gritante. Conforme aponta a AutoInforme, a indústria de caminhões e ônibus passou por transformação profunda com a adoção de sistemas como o SCR (Redução Catalítica Seletiva), que usa o reagente Arla 32, e os filtros de partículas DPF — tecnologias capazes de reduzir em até 95% a emissão de óxido de nitrogênio e material particulado. O Brasil segue atualmente o Proconve P-8 para veículos pesados, em vigor desde 2023, alinhado aos padrões europeus Euro.
Alternativas ao diesel fóssil também avançam, ainda que em ritmo desigual. A AutoInforme destaca que mais de 3.000 ônibus elétricos já circulam pelo país no transporte urbano, sendo 2.009 deles em São Paulo — a maior frota da América Latina. Só na capital paulista, essa eletrificação evita o consumo de mais de 70 milhões de litros de diesel e a emissão de 174 mil toneladas de CO2 por ano. No segmento de caminhões elétricos, o avanço é bem mais tímido: de janeiro a setembro deste ano, foram vendidas apenas 206 unidades, com total acumulado de 2.000 desde 2020.
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