Grupo Volkswagen planeja cortar 100 mil empregos, vender Ducati e extinguir a SEAT em reestruturação histórica
Crise financeira força a montadora alemã a reduzir portfólio pela metade e abandonar décadas de estratégia baseada em volume.
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O Grupo Volkswagen vive sua crise mais profunda em décadas. Segundo a Auto+, a diretoria emitiu um alerta interno de urgência reconhecendo o esgotamento do modelo de negócios que sustentou a empresa por gerações — aquele baseado em atender todos os perfis de consumidores, dos carros populares aos supercarros e caminhões pesados. A combinação de retração nas vendas na China, custos operacionais crescentes na Europa e avanço agressivo das montadoras chinesas no segmento elétrico levou o conglomerado a revisar sua projeção de margem operacional de 4% para apenas 1%.
O plano de contingência aprovado pela cúpula prevê a eliminação de até 100 mil postos de trabalho em todas as divisões do grupo, conforme aponta a Auto+. No braço esportivo, o jornal alemão Handelsblatt, citado pela publicação, indica a intenção de cortar mais 4.100 vagas na Porsche, além das 8.900 já aprovadas — embora o CEO Michael Leiters tenha negado publicamente o novo corte. Na estrutura industrial europeia, as fábricas da Volkswagen em Emden, Zwickau e Hanover, além da unidade da Audi em Neckarsulm, operam em situação de incerteza por não terem novos modelos alocados após a geração atual, de acordo com informações do Motor1.com reproduzidas pela Auto+. A unidade de Osnabrück, que hoje monta o T-Roc Conversível, será reconvertida em um centro voltado a soluções de segurança e defesa.
A reestruturação também redesenha o portfólio de marcas do conglomerado. A Auto+ informa que a diretoria estuda formalmente a extinção gradual da espanhola SEAT e avalia a venda da fabricante italiana de motocicletas Ducati como forma de levantar caixa rapidamente — movimento que segue a linha do desinvestimento anterior com a saída da Bugatti do controle direto do grupo. No campo da engenharia, o plano aprovado prevê redução de até 75% na variedade de peças das próximas plataformas e corte de metade do catálogo global de modelos.
O dilema estratégico se aprofunda no segmento elétrico. Embora modelos como o ID. Polo estejam impulsionando volumes de venda, a linha zero emissão ainda não entrega a lucratividade dos carros a combustão, segundo a Auto+. A baixa margem dos elétricos dificulta o cumprimento das metas ambientais da União Europeia e reduz o capital disponível para novos investimentos — exatamente quando a Volkswagen mais precisa de fôlego financeiro para se reinventar.
Fontes
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