GWM mira vendas de caminhão a hidrogênio de 544 cv no Brasil em 2026 e projeta R$ 200 milhões para 2027
Montadora chinesa realiza primeiros testes operacionais na Bahia, negocia com sete empresas e aposta em rotas dedicadas e retrofit de frotas para driblar a falta de infraestrutura pública
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
A GWM está em negociações para trazer caminhões movidos a hidrogênio ao mercado brasileiro, com previsão de início das vendas em 2026. Segundo o InsideEVs Brasil, a montadora chinesa projeta faturar R$ 20 milhões já no primeiro ano de operação comercial com a tecnologia no país — e, de acordo com a Quatro Rodas, a meta salta para R$ 200 milhões em 2027, consolidando o Brasil como a principal base da tecnologia fora da China.
O movimento ganhou um marco concreto esta semana: ainda segundo o InsideEVs Brasil, a empresa realizou o primeiro abastecimento com hidrogênio verde em solo nacional. A Quatro Rodas detalha que a operação acontece no Senai Cimatec, em Camaçari (BA), e marca o início de uma fase de testes operacionais conduzida pela GWM Hydrogen, divisão de pesados da fabricante. O combustível utilizado nos ensaios é classificado como hidrogênio verde porque é produzido por eletrólise da água com energia de fontes renováveis gerada dentro do próprio parque tecnológico baiano — o que permite à montadora avaliar não apenas o comportamento do veículo sob o calor local, mas toda a logística de produção, armazenamento e abastecimento no país.
A aposta da GWM no hidrogênio mira principalmente o segmento de transporte de cargas, onde a autonomia estendida e o tempo de abastecimento reduzido — vantagens típicas da célula de combustível em relação às baterias convencionais — podem ser diferenciais competitivos relevantes. O InsideEVs Brasil destaca que as negociações já estão em curso, o que indica interesse concreto de potenciais compradores no setor logístico brasileiro. A Quatro Rodas acrescenta que a marca já negocia com sete empresas privadas e centros de tecnologia brasileiros, além de preparar o terreno para exportação dentro da América do Sul.
Estratégia para driblar a falta de infraestrutura
O principal obstáculo para a adoção da célula de combustível no transporte logístico é a ausência de uma malha pública de abastecimento — e a Quatro Rodas aponta que a GWM tem uma resposta clara para isso: no curto prazo, a montadora mira rotas dedicadas e frotas fechadas, sem depender de uma infraestrutura nacional que ainda não existe.
Além de vender o caminhão zero-quilômetro, a empresa estrutura uma segunda frente de negócios baseada em retrofit, segundo a Quatro Rodas. A ideia é aproveitar o chassi e a carroceria de caminhões a diesel que as transportadoras já possuem, substituindo o trem de força original por motores elétricos, baterias e tanques de hidrogênio — uma solução mais barata e rápida do que a renovação integral da frota, mas que exige engenharia complexa para garantir a robustez estrutural das adaptações.
Ficha técnica: 544 cv e 500 km de autonomia
A Quatro Rodas detalha as especificações do caminhão: o sistema elétrico entrega 544 cv de potência e 234,7 kgfm de torque, números superiores à média dos rivais a combustão na mesma categoria. A reação química do hidrogênio nas células gera a eletricidade a bordo, apoiada por uma bateria de 105 kWh responsável por armazenar energia das frenagens regenerativas e auxiliar em momentos de pico de demanda.
Os cilindros de fibra de carbono trabalham a 350 bar e armazenam até 40 kg de hidrogênio, garantindo autonomia na casa dos 500 km, ainda de acordo com a Quatro Rodas. Outro diferencial competitivo apontado pela publicação está no peso: o modelo pesa 10,8 toneladas vazio, cerca de 500 kg a menos do que a média dos concorrentes a diesel — o que se traduz diretamente em maior capacidade de carga útil.
Se confirmadas, as vendas colocariam o Brasil entre os primeiros mercados da América Latina a comercializar caminhões pesados a hidrogênio em escala, num momento em que o país debate incentivos à descarbonização do transporte rodoviário.
Fontes
Notícias relacionadas
IndústriaVolkswagen aprova corte de 50 mil vagas e reestruturação histórica que pode custar até R$ 95,7 bilhões
O 'Future Plan' é o maior processo de transformação em 89 anos da montadora alemã, com fábricas em risco e pressão crescente da concorrência chinesa
IndústriaVolkswagen aprova corte de 50 mil empregos enquanto Alemanha atinge menor nível de emprego automotivo desde 2005
Transição para elétricos destrói postos de trabalho mais rápido do que os cria, e a VW ainda aponta capacidade ociosa para 500 mil veículos por ano.
IndústriaHonda ultrapassa 1 milhão de motos emplacadas em oito meses e consolida domínio absoluto no Brasil
Marca japonesa bate marca histórica antes do fim do ano, com CG, Biz, Pop e Bros liderando as vendas no segmento de entrada.
IndústriaPorsche vende fatia na Bugatti Rimac por R$ 5,98 bilhões em grande reestruturação
Montadora alemã encerra sociedade com a joint venture de supercarros elétricos e embolsa quase R$ 6 bilhões na operação.
IndústriaDas motos aos carros: as sete vezes em que a Yamaha tentou conquistar o mercado automobilístico
Fabricante japonesa, famosa por motocicletas icônicas, teve tentativas frustradas e curiosas de emplacar projetos de automóveis ao longo de sua história.
IndústriaFord Ranger Super Duty 6×6 disputa contrato bilionário para equipar o Exército Britânico
Picape adaptada para uso militar concorre com Defender e propostas da GM e Ineos em processo seletivo avaliado em quase R$ 35 bilhões.

