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GWM mira vendas de caminhão a hidrogênio de 544 cv no Brasil em 2026 e projeta R$ 200 milhões para 2027

Montadora chinesa realiza primeiros testes operacionais na Bahia, negocia com sete empresas e aposta em rotas dedicadas e retrofit de frotas para driblar a falta de infraestrutura pública

Atualizada em 25 de julho de 2026 às 15:00· 2 fontes· 19 leituras
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HIDROGÊNIO VERDE

GWM quer vender caminhões a hidrogênio no Brasil em 2026

Montadora chinesa projeta R$ 20 milhões no primeiro ano e já realizou o primeiro abastecimento com H₂ verde no país.

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A GWM está em negociações para trazer caminhões movidos a hidrogênio ao mercado brasileiro, com previsão de início das vendas em 2026. Segundo o InsideEVs Brasil, a montadora chinesa projeta faturar R$ 20 milhões já no primeiro ano de operação comercial com a tecnologia no país — e, de acordo com a Quatro Rodas, a meta salta para R$ 200 milhões em 2027, consolidando o Brasil como a principal base da tecnologia fora da China.

O movimento ganhou um marco concreto esta semana: ainda segundo o InsideEVs Brasil, a empresa realizou o primeiro abastecimento com hidrogênio verde em solo nacional. A Quatro Rodas detalha que a operação acontece no Senai Cimatec, em Camaçari (BA), e marca o início de uma fase de testes operacionais conduzida pela GWM Hydrogen, divisão de pesados da fabricante. O combustível utilizado nos ensaios é classificado como hidrogênio verde porque é produzido por eletrólise da água com energia de fontes renováveis gerada dentro do próprio parque tecnológico baiano — o que permite à montadora avaliar não apenas o comportamento do veículo sob o calor local, mas toda a logística de produção, armazenamento e abastecimento no país.

A aposta da GWM no hidrogênio mira principalmente o segmento de transporte de cargas, onde a autonomia estendida e o tempo de abastecimento reduzido — vantagens típicas da célula de combustível em relação às baterias convencionais — podem ser diferenciais competitivos relevantes. O InsideEVs Brasil destaca que as negociações já estão em curso, o que indica interesse concreto de potenciais compradores no setor logístico brasileiro. A Quatro Rodas acrescenta que a marca já negocia com sete empresas privadas e centros de tecnologia brasileiros, além de preparar o terreno para exportação dentro da América do Sul.

Estratégia para driblar a falta de infraestrutura

O principal obstáculo para a adoção da célula de combustível no transporte logístico é a ausência de uma malha pública de abastecimento — e a Quatro Rodas aponta que a GWM tem uma resposta clara para isso: no curto prazo, a montadora mira rotas dedicadas e frotas fechadas, sem depender de uma infraestrutura nacional que ainda não existe.

Além de vender o caminhão zero-quilômetro, a empresa estrutura uma segunda frente de negócios baseada em retrofit, segundo a Quatro Rodas. A ideia é aproveitar o chassi e a carroceria de caminhões a diesel que as transportadoras já possuem, substituindo o trem de força original por motores elétricos, baterias e tanques de hidrogênio — uma solução mais barata e rápida do que a renovação integral da frota, mas que exige engenharia complexa para garantir a robustez estrutural das adaptações.

Ficha técnica: 544 cv e 500 km de autonomia

A Quatro Rodas detalha as especificações do caminhão: o sistema elétrico entrega 544 cv de potência e 234,7 kgfm de torque, números superiores à média dos rivais a combustão na mesma categoria. A reação química do hidrogênio nas células gera a eletricidade a bordo, apoiada por uma bateria de 105 kWh responsável por armazenar energia das frenagens regenerativas e auxiliar em momentos de pico de demanda.

Os cilindros de fibra de carbono trabalham a 350 bar e armazenam até 40 kg de hidrogênio, garantindo autonomia na casa dos 500 km, ainda de acordo com a Quatro Rodas. Outro diferencial competitivo apontado pela publicação está no peso: o modelo pesa 10,8 toneladas vazio, cerca de 500 kg a menos do que a média dos concorrentes a diesel — o que se traduz diretamente em maior capacidade de carga útil.

Se confirmadas, as vendas colocariam o Brasil entre os primeiros mercados da América Latina a comercializar caminhões pesados a hidrogênio em escala, num momento em que o país debate incentivos à descarbonização do transporte rodoviário.

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