JAC Motors pede recuperação judicial com R$ 239 milhões em dívidas
Grupo SHC, representante da marca chinesa no Brasil, enfrenta segunda crise financeira em menos de sete anos.
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O Grupo SHC, controlado pelo empresário Sergio Habib e responsável pela operação da JAC Motors no Brasil, entrou com pedido de recuperação judicial nesta terça-feira (6), acumulando R$ 239,5 milhões em dívidas distribuídas entre 44 empresas do grupo. Segundo o Jornal do Carro (Estadão), a informação foi antecipada pela revista Exame, que também havia noticiado as tentativas frustradas de negociação direta com credores — entre eles ao menos um grande banco com mais de R$ 100 milhões a receber. Parte das tratativas envolvia dificuldades para localizar e retomar veículos dados como garantia de empréstimos.
O pedido chega em um momento de forte derretimento das vendas da marca. De acordo com o Jornal do Carro (Estadão), dados da Fenabrave mostram que a JAC registrou apenas 988 emplacamentos de automóveis e comerciais leves em 2025, queda de 51,1% em relação às 2.022 unidades vendidas em 2024 — tudo isso enquanto o mercado brasileiro como um todo cresceu 2,58% no mesmo período, atingindo 2,55 milhões de unidades.
Esta não é a primeira vez que o grupo recorre à Justiça. O Jornal do Carro (Estadão) lembra que o primeiro processo de recuperação judicial teve início em novembro de 2018, com dívidas declaradas de R$ 517,7 milhões, e só foi encerrado em maio de 2025 — ou seja, o novo pedido surge cerca de um ano e cinco meses após o fim da primeira reestruturação. Na época, o grupo atribuiu as dificuldades ao fim do programa Inovar-Auto e ao encerramento de uma parceria de 28 anos com a Citroën.
A trajetória da JAC no Brasil foi marcada por apostas que não se concretizaram: em 2011, Sergio Habib inaugurou 50 concessionárias em um único dia e planejava erguer uma fábrica na Bahia com investimento estimado em R$ 1 bilhão, projeto que nunca saiu do papel. A aposta posterior nos elétricos importados também não foi suficiente para reverter o quadro financeiro, segundo o Jornal do Carro (Estadão). O grupo não havia se manifestado publicamente até o fechamento da reportagem.
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