JAC Motors pede segunda recuperação judicial no Brasil com dívida de R$ 239,5 milhões
Grupo SHC, representante da marca chinesa no país, volta aos tribunais após encerrar processo anterior em maio de 2025.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O Grupo SHC, que representa a JAC Motors no Brasil sob o comando de Sergio Habib, protocolou um novo pedido de recuperação judicial para renegociar uma dívida de R$ 239,5 milhões. Segundo a Quatro Rodas, a medida envolve 44 empresas do grupo e marca o segundo recurso à Justiça em menos de uma década — o primeiro processo havia começado em 2018, com passivo superior a R$ 517 milhões, e só foi encerrado em maio de 2025. O retorno tão rápido aos tribunais escancarou a dificuldade da marca em se firmar num mercado cada vez mais dominado por rivais chinesas como BYD e GWM.
Os números de vendas explicam o tamanho do problema. A Quatro Rodas aponta que, com base em dados da Fenabrave, a JAC registrou apenas 988 emplacamentos de veículos leves em 2025, queda de 51,1% frente às 2.022 unidades do ano anterior — movimento oposto ao do mercado brasileiro, que cresceu cerca de 3% no mesmo período. Em 2026, o cenário piorou: entre janeiro e setembro, dados da Fenabrave e da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), citados pela Quatro Rodas, somam apenas 373 emplacamentos acumulados, divididos entre o elétrico E-JS1, o hatch E-JS3 e a picape Hunter.
A crise forçou uma reestruturação profunda da operação. A Quatro Rodas relata que a rede, que chegou a inaugurar 50 concessionárias em um único dia em 2011, hoje conta com apenas três pontos físicos — em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre —, com a comercialização migrando para canais digitais. O portfólio também foi enxugado: o SUV E-JS4 e o sedã E-J7 saíram de linha, e a marca abandonou promessas de trazer versões híbrida plug-in e totalmente elétrica da picape Hunter. O modelo segue disponível apenas na versão a diesel 4Work, por R$ 219.900, com foco em agronegócio e frotistas.
A estratégia de pós-venda aposta em 142 oficinas credenciadas espalhadas pelo país para atender quem já possui um veículo da marca, segundo a Quatro Rodas. A reportagem tentou contato com o Grupo SHC, que não se manifestou até o fechamento da matéria.
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