MG Motor confirma montagem no Ceará a partir de 2026 com investimento de R$ 400 milhões
Marca controlada pelo grupo chinês SAIC escolhe Horizonte (CE) para instalar sua primeira fábrica na América do Sul, com produção prevista para o fim de 2026 e dois modelos elétricos como ponto de partida.
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A MG Motor está prestes a dar um salto relevante no mercado brasileiro. Segundo a Quatro Rodas, a marca — de origem britânica e hoje controlada pelo grupo chinês SAIC Motor — confirmou que iniciará a montagem de veículos no Brasil ainda em 2026, utilizando as instalações da Comexport em Horizonte, no Ceará. O investimento total chega a R$ 400 milhões, sendo R$ 60 milhões destinados à adequação da linha de produção e R$ 340 milhões voltados a pesquisa e desenvolvimento tecnológico.
O anúncio oficial da parceria foi feito nesta quinta-feira (25) em Fortaleza, conforme aponta a Autoesporte, em evento com a presença do governador do Ceará, Elmano de Freitas, e do CEO da MG Motor, Yang Li, que também apresentaram detalhes adicionais do projeto. O InsideEVs Brasil acrescenta que a produção está prevista para o fim de 2026, detalhe que reforça o caráter iminente do projeto e sugere que a MG já está em estágio avançado de preparação. O UOL Carros destaca ainda que a unidade cearense será a primeira fábrica da MG Motor em toda a América do Sul, o que amplia o peso estratégico da escolha pelo Brasil.
A Quatro Rodas aponta que a operação deve gerar cerca de 600 empregos diretos e indiretos no estado e projeta a entrega de 50.000 veículos ao longo dos próximos quatro anos. A estratégia aproveita a estrutura da Planta Automotiva do Ceará (PACE), gerenciada pela Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) e anunciada em agosto de 2024, evitando a necessidade de construir uma fábrica do zero e permitindo a incorporação gradual de fornecedores locais, segundo a Autoesporte. O movimento também visa contornar as alíquotas de importação para veículos eletrificados e reduzir a exposição às variações cambiais.
A Autoesporte lembra ainda que a Comexport, acionista da PACE e maior empresa de comércio exterior e supply chain do Brasil, já opera como parceira logística de marcas como Mercedes-Benz, Honda, BYD, GWM, Renault, Ford, Volvo, GM, Toyota, Chery e Volkswagen no país — o que sinaliza infraestrutura consolidada para receber a operação da MG.
Os dois primeiros modelos a serem montados localmente serão elétricos, conforme destaca a Quatro Rodas. O MG4 Urban — hatch ainda inédito no Brasil, com motor de 150 cv e bateria de 42,8 kWh que entrega até 299 km de autonomia segundo homologação do Inmetro — chegará para brigar com rivais como Geely EX2 e BYD Dolphin, posicionado abaixo do MG4 convencional, que parte de R$ 169.990. O InsideEVs Brasil confirma que o MG4 Urban será justamente o modelo inaugural da linha de montagem no complexo da PACE. O segundo modelo é o SUV MGS5, lançado em dezembro de 2024 a partir de R$ 195.800, com motor de 205 cv e autonomia de até 351 km com sua bateria de 62 kWh.
O anúncio coincide com uma movimentação relevante do governo federal no setor. A Autoesporte informa que o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) decidiu, na terça-feira (23), renovar por seis meses — a partir de 1º de julho de 2026 — a cota de importação de veículos elétricos semimontados e desmontados sem cobrança de imposto de importação, com volume previsto de US$ 463 milhões. A medida abrange tanto o sistema Completely Knocked Down (CKD) quanto o Semi Knocked Down (SKD). Segundo a Autoesporte, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, justificou a decisão pela necessidade de "garantir os melhores preços aos consumidores" e evitar alta nos preços dos elétricos no mercado nacional.
No médio prazo, a Quatro Rodas indica que a fábrica cearense também deverá produzir veículos com tecnologia flex, seguindo a tendência de outras montadoras chinesas que têm encontrado mais sucesso no Brasil com híbridos do que com elétricos puros. Por ora, a MG só comercializa elétricos no país, mas o plano sinaliza uma adaptação clara à realidade energética e de consumo do mercado nacional.
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