Michelin não vai embora do Brasil: empresa mantém fábricas em seis estados após fechar unidade de Guarulhos
Boato viral nas redes sociais confunde encerramento de uma planta específica com saída total da fabricante francesa do país.
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Uma onda de publicações no Instagram, Facebook e X espalhou a informação falsa de que a Michelin estaria abandonando o Brasil depois de encerrar as operações de sua fábrica em Guarulhos, na Grande São Paulo. Segundo a Autoesporte (G1 Carros), a afirmação é fake: o fechamento da unidade paulista não representa o fim das atividades da empresa no país.
A própria Michelin esclareceu o caso em nota enviada à equipe do Fato ou Fake. Conforme a assessoria da companhia, a decisão de encerrar gradualmente a fábrica de Guarulhos foi anunciada ainda em junho de 2024, com desativação concluída até o fim de 2025 — portanto, não se trata de novidade. A empresa garante que segue operando no Brasil com unidades no Amazonas, na Bahia, no Espírito Santo, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em São Paulo, mantendo o que chama de 'ciclo completo de produção' no território nacional.
A Autoesporte destaca que o fechamento de Guarulhos teve motivação econômica bem definida: a unidade produzia câmaras de ar para pneus de motos e bicicletas, pneus industriais e produtos semiacabados, segmentos duramente pressionados pela entrada de importados asiáticos vendidos abaixo do custo local. O cenário é corroborado pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), que, segundo a reportagem, procurou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em junho de 2026 pedindo medidas contra a concorrência desleal. A entidade aponta que os fabricantes nacionais encerraram o primeiro quadrimestre de 2026 com apenas 31% de participação nas vendas totais de pneus — o pior índice da série histórica —, enquanto os importados dominaram 69% do mercado. Em 2019, a proporção era exatamente inversa.
A Autoesporte lembra ainda que boatos semelhantes circularam recentemente envolvendo outras marcas, como Adidas, Nike, Umbro e Toyota, todos igualmente desmentidos pela equipe de checagem do Fato ou Fake. O padrão das publicações falsas costuma associar fechamentos pontuais de unidades industriais a narrativas políticas, amplificando desinformação sobre o ambiente de negócios no Brasil.
Fontes
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