Mais de 100 mil carros montados no Brasil com peças importadas: a farsa da 'produção nacional' das marcas chinesas
Levantamento do AutoInforme expõe como sistemas SKD e CKD viram atalho para marcas chinesas simularem fabricação local enquanto destroem sete décadas de cadeia produtiva nacional
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O Brasil acumula mais de 100 mil veículos montados localmente com quase todas as peças vindas de fora nos primeiros oito meses deste ano, segundo levantamento do AutoInforme — dado que os Notícias Automotivas também destacam ao observar que linhas de montagem se multiplicam pelo país sem que a dependência de componentes estrangeiros diminua.
A prática se divide em dois modelos, conforme o AutoInforme aponta: o SKD, em que o carro chega semimontado para um simples aperto de parafusos em solo brasileiro, e o CKD, em que carrocerias desmontadas são soldadas e pintadas aqui. Ao menos vinte marcas chinesas que operam ou pretendem operar no mercado nacional adotaram um desses dois caminhos como estratégia preferencial.
O discurso de nacionalização raramente se traduz em pedidos reais a fornecedores instalados no país, segundo o AutoInforme. O caso mais emblemático é o da BYD: mesmo conduzindo o projeto de maior visibilidade do setor — a reconstrução do complexo industrial da Ford em Camaçari, na Bahia —, a montadora ainda não teria fechado contratos com fornecedores locais após mais de um ano de operação. A estratégia declarada da empresa envolve trazer seus próprios fornecedores para dentro do complexo baiano, o que, segundo a publicação, pode resultar em uma espécie de 'lavagem de índice de nacionalização': os componentes seriam adquiridos formalmente no Brasil, mas produzidos com insumos majoritariamente importados.
O AutoInforme chama atenção ainda para o uso sistemático dos chamados ex-tarifários — reduções de imposto de importação concedidas para itens considerados sem produção nacional equivalente. O mecanismo, criado como ferramenta temporária de qualificação industrial, teria se convertido em proteção permanente para a importação de componentes de alto valor. O câmbio automático é citado como exemplo concreto: presente na maioria dos carros fabricados no Brasil e com escala suficiente para ser produzido localmente, o item segue sendo importado com benefício fiscal.
As consequências, para o AutoInforme, vão além do desequilíbrio na balança comercial e da pressão cambial que alimenta a inflação. A publicação argumenta que o ritmo atual de importações ameaça destruir uma cadeia produtiva construída ao longo de sete décadas, comprometendo a soberania tecnológica do país e aprofundando uma dependência externa que, historicamente, está associada ao subdesenvolvimento industrial. Os Notícias Automotivas reforçam esse diagnóstico ao apontar que o fenômeno redesenha a indústria automotiva brasileira de forma estrutural: as linhas de montagem crescem em número, mas o conteúdo nacional dentro delas segue encolhendo.
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