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Motoristas desligam os próprios sistemas de segurança do carro — e a ciência explica por quê

Alertas sonoros irritantes e alarmes falsos repetidos fazem os condutores desativarem tecnologias que poderiam salvar vidas.

Atualizada em 26 de setembro de 2026 às 11:02· 4 leituras
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SEGURANÇA AUTOMOTIVA

Motoristas desligam os próprios sistemas de segurança — e a ciência explica por quê

Alertas irritantes e alarmes falsos repetidos fazem condutores desativarem tecnologias que salvam vidas.

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Comprar um carro novo equipado com sistemas avançados de segurança e desligá-los antes mesmo de sair da garagem virou rotina para muitos motoristas. O paradoxo é real: segundo o Jornal do Carro, pesquisas do Insurance Institute for Highway Safety (IIHS) mostram que a combinação de alerta de colisão com frenagem automática reduz em cerca de 50% as batidas traseiras, enquanto o monitor de ponto cego corta 14% dos acidentes em troca de faixa. Mesmo assim, os condutores fazem questão de desativar esses recursos.

O próprio IIHS foi a campo para medir o fenômeno, conforme aponta o Jornal do Carro: pesquisadores analisaram as configurações de mais de 2 mil veículos que chegavam a concessionárias para revisão. A frenagem automática de emergência estava ativa em 93% dos carros, mas o aviso sonoro de excesso de velocidade aparecia ligado em apenas 14% deles. O padrão revela uma lógica clara: o motorista tolera o sistema que fica quieto até a emergência, mas rejeita aquele que fica lembrando o tempo todo que ele está fazendo algo errado. "A tecnologia não pode parecer um pai ranzinza", resumiu Kristin Kolodge, diretora de pesquisa da consultoria J.D. Power, citada pelo Jornal do Carro, que em enquete com quase 100 mil compradores identificou os alertas como a principal fonte de reclamação sobre esses sistemas.

A raiz do problema tem explicação científica. Segundo o Jornal do Carro, o psicólogo israelense Shlomo Breznitz já demonstrava em 1984 que alarmes falsos repetidos provocam mudanças fisiológicas e reduzem a vigilância humana — um efeito que a literatura batizou de "pareamento de probabilidade". Em experimento com 138 voluntários, cerca de nove em cada dez participantes calibravam a frequência com que respondiam aos alertas de acordo com a confiabilidade que atribuíam ao sistema: se metade dos avisos era verdadeira, reagiam à metade. O Jornal do Carro também cita um estudo com funcionários de segurança de aeroporto no qual um detector de explosivos com 20% de alarmes falsos levou os operadores a ignorar a maioria dos alertas verdadeiros.

O carro moderno agrava o quadro ao empilhar dezenas de sistemas simultâneos — alerta de faixa, limite de velocidade, ponto cego, sensor de estacionamento, detector de fadiga, entre outros. O Jornal do Carro descreve esse fenômeno como sobrecarga cognitiva: a atenção humana é finita, e cada novo estímulo disputa espaço com os anteriores e com a própria tarefa de dirigir. Quando tudo apita, nenhum bipe parece excepcional — e o resultado é que a tecnologia projetada para proteger o motorista acaba sendo neutralizada pelo próprio motorista.

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