Neta sobrevive no Brasil com estoques do primeiro lote enquanto matriz chinesa tenta se reerguer
Marca chegou ao país em novembro de 2024 com planos ambiciosos, mas crise na China reduziu drasticamente sua operação — e ela ainda assim vende carros por aqui.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
A Quatro Rodas aponta que, entre as 28 marcas chinesas presentes no mercado brasileiro, a Neta ocupa uma posição peculiar: chegou com promessas de rede de concessionárias e até fábrica local em novembro de 2024, mas viu esses planos desmoronarem junto com uma grave crise financeira da matriz, a Hozon Auto, que paralisou a produção em Tongxiang e levou a empresa à recuperação judicial na China. Mesmo assim, a operação brasileira não fechou as portas.
Segundo a Quatro Rodas, a marca comercializou 133 unidades no Brasil em 2026 — 96 do modelo X e 37 do Aya —, com base em dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Os carros disponíveis são do primeiro lote importado, vendidos com descontos e majoritariamente para locadoras. Fabricio Pereira, administrador da Neta Auto do Brasil, afirma à publicação que os veículos têm sido bem recebidos: os modelos da marca figuram entre os mais requisitados por motoristas de aplicativo nas frotas parceiras.
A Quatro Rodas detalha que a estrutura da Neta no país se resume a um escritório na Avenida Paulista, um centro logístico em Perus (SP) e um armazém de peças em São Bernardo do Campo com mais de 600 referências. Peças urgentes chegam da China em 10 a 15 dias por via aérea, segundo Pereira. A única concessionária ativa é a Potenza, no Rio de Janeiro, que opera no modelo multimarcas com seminovos — outros grupos estariam, segundo a marca, aguardando sinal verde da matriz para retomar a expansão.
No front chinês, a Quatro Rodas informa que novos investidores evitaram a falência da Hozon Auto e que o plano de recuperação judicial foi aprovado pelos credores em assembleia realizada em julho. A gestão da fábrica está sob controle de um administrador independente (trustee), medida que, segundo Pereira, protege a linha de produção e mantém as licenças industriais intactas. Sem data definida para normalização, a operação brasileira segue em compasso de espera — vendendo o que tem em estoque enquanto torce pela sobrevivência da marca na China.
Fontes
Notícias relacionadas
ElétricosNeta cresce nas ruas de SP enquanto matriz chinesa afunda em crise financeira
Marca despeja estoque no Brasil com promoções e vendas a locadoras mesmo com colapso financeiro na China.
IndústriaVolkswagen aprova corte de 50 mil empregos enquanto Alemanha atinge menor nível de emprego automotivo desde 2005
Transição para elétricos destrói postos de trabalho mais rápido do que os cria, e a VW ainda aponta capacidade ociosa para 500 mil veículos por ano.
IndústriaHonda ultrapassa 1 milhão de motos emplacadas em oito meses e consolida domínio absoluto no Brasil
Marca japonesa bate marca histórica antes do fim do ano, com CG, Biz, Pop e Bros liderando as vendas no segmento de entrada.
IndústriaPorsche vende fatia na Bugatti Rimac por R$ 5,98 bilhões em grande reestruturação
Montadora alemã encerra sociedade com a joint venture de supercarros elétricos e embolsa quase R$ 6 bilhões na operação.
IndústriaDas motos aos carros: as sete vezes em que a Yamaha tentou conquistar o mercado automobilístico
Fabricante japonesa, famosa por motocicletas icônicas, teve tentativas frustradas e curiosas de emplacar projetos de automóveis ao longo de sua história.
IndústriaFord Ranger Super Duty 6×6 disputa contrato bilionário para equipar o Exército Britânico
Picape adaptada para uso militar concorre com Defender e propostas da GM e Ineos em processo seletivo avaliado em quase R$ 35 bilhões.

