Nova metodologia de pedágio pode encarecer em R$ 42 bilhões o custo para caminhões nas futuras concessões
Mudança no multiplicador tarifário prevista para a sexta etapa de concessões federais preocupa transportadores e pode elevar preço do frete e de produtos.
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Caminhoneiros e empresas de transporte rodoviário podem enfrentar uma conta bem mais salgada nas estradas brasileiras. Segundo o Jornal do Carro, uma alteração na metodologia de cobrança de pedágio prevista para as novas concessões de rodovias federais eleva de duas para três vezes o multiplicador aplicado sobre a Tarifa Básica de Pedágio (TBP) por eixo para veículos comerciais — um aumento de 50% nesse fator de cálculo.
O Jornal do Carro aponta que a Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT) já havia contestado a mudança em julho, estimando que a nova regra pode representar um custo adicional de R$ 42 bilhões ao longo dos contratos de sete projetos de concessão analisados. A entidade também critica a ausência de análise de impacto regulatório e de audiência pública específica sobre a alteração. Já a Confederação Nacional do Transporte (CNT), conforme a mesma reportagem, questionou formalmente o Ministério dos Transportes e quer acesso aos estudos técnicos que embasaram a decisão. Para Danielle Bernardes, gerente executiva para Governo Federal da CNT, os veículos comerciais já pagam proporcionalmente ao número de eixos — e falta justificativa clara para dobrar essa proporção.
Na prática, conforme o Jornal do Carro, um caminhão de oito eixos passaria a ter equivalência tarifária de 12 eixos, e um veículo de nove eixos equivaleria a 13,5 eixos. O impacto, porém, varia por projeto: na concessão Rota Gerais, a estimativa da CNT é de alta de cerca de 6% na tarifa final. O Ministério dos Transportes justificou a medida pelo maior desgaste que veículos pesados causam à infraestrutura das rodovias.
O efeito, segundo o Jornal do Carro, pode ir além das estradas: o pedágio compõe os custos operacionais das transportadoras, e qualquer elevação tende a ser repassada ao frete e, na sequência, ao preço dos produtos nas prateleiras. Empresas de ônibus que operam em rodovias concedidas também poderiam sentir o impacto, com possível reflexo no valor das passagens. Por ora, a mudança não altera os pedágios já cobrados nas concessões existentes, mas acende um alerta para os contratos que ainda estão por vir.
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