Presidente da Volkswagen prevê estagnação do mercado automotivo brasileiro em 2027
Juros altos, endividamento das famílias e pressão de preços puxados por chinesas são os principais obstáculos apontados por lideranças do setor.
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O mercado automotivo brasileiro pode encerrar 2026 em alta histórica, mas 2027 promete ser bem mais sóbrio. Segundo o Jornal do Carro, Ciro Possobom, presidente da Volkswagen Brasil, foi direto ao ponto durante o evento #ABX26 — Automotive Business Experience, que reuniu cerca de 4 mil lideranças do setor na última quinta-feira: "A indústria automotiva não vai crescer em 2027". O encontro também contou com a participação de Mauro Correa, presidente da HPE Automotores, responsável pela operação da Mitsubishi no Brasil.
O alerta vem num momento de euforia. O Jornal do Carro aponta que a Anfavea projeta o fechamento de 2026 com mais de 3 milhões de veículos vendidos — patamar não visto desde 2014 —, representando crescimento de 11,7% sobre o ano anterior. Já a produção deve avançar apenas 5,8%, chegando a 2,8 milhões de unidades, com a diferença sendo preenchida por importados. Possobom destacou que há hoje cerca de 350 mil carros importados em estoque no país, volume concentrado majoritariamente em marcas chinesas, o que, segundo ele, gera "desequilíbrio para a indústria como um todo".
Como freios para 2027, o Jornal do Carro relata que Correa, da HPE, cita os juros elevados e o alto endividamento das famílias brasileiras como barreiras ao acesso a bens de alto valor como automóveis. Ele defende que o novo governo priorize o equilíbrio fiscal e aprofunde a reforma tributária além do que já está em curso, pedindo "isonomia tributária" para o setor. Possobom usa o mesmo termo ao cobrar condições justas de competição, em referência às isenções fiscais concedidas a veículos eletrificados e kits semidesmontados importados.
Se o cenário macroeconômico preocupa, a guerra de preços incomoda ainda mais. De acordo com o Jornal do Carro, o presidente da VW afirmou que "o preço do carro está derretendo" diante da chegada de novas montadoras chinesas com tabelas agressivas, corroendo as margens não só das fabricantes estabelecidas, mas de toda a cadeia de fornecedores. Para a própria Volkswagen, porém, Possobom vê 2027 com mais otimismo: a empresa planeja lançar duas picapes — a Tukan e uma nova geração da Amarok — além de um modelo híbrido, tudo isso dentro de um ciclo de investimentos de R$ 20 bilhões anunciado para a região.
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