Ferrari leiloa o chassi 0 do Luce elétrico na Monterey Car Week; valor pode superar R$ 3,3 milhões
Primeira unidade produzida do gran turismo elétrico da marca italiana vai a leilão em agosto, conduzido pela RM Sotheby's, com renda destinada a iniciativas educacionais
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O primeiro exemplar do Ferrari Luce a sair da linha de produção não vai parar na garagem de um colecionador particular nem em uma vitrine do museu da marca. Segundo o UOL Carros, a Ferrari decidiu leiloar o chassi número 0 do seu novo gran turismo elétrico durante a Monterey Car Week, evento de prestígio no calendário mundial de automóveis de luxo. A Autoesporte informa que o leilão está marcado para o dia 15 de agosto de 2026 e será conduzido pela casa RM Sotheby's, que não divulgou estimativa oficial de preço.
O dinheiro arrecadado, segundo a Autoesporte, será repassado a uma fundação com foco em iniciativas de educação — instituição que ainda será definida pela Fundação Ferrari. De acordo com o UOL Carros, o lote será oferecido sem preço de reserva. Ainda assim, a Autoesporte aponta que a expectativa é de que o carro ultrapasse o preço de lançamento de US$ 650 mil — cerca de R$ 3,3 milhões em conversão direta —, reflexo da raridade do exemplar e do apelo histórico de ser o primeiro chassis produzido. O UOL Carros havia estimado anteriormente que o modelo poderia ultrapassar R$ 6 milhões.
Um exemplar único, de cabo a rabo
A Autoesporte detalha que o "Chassis 0" recebeu configuração exclusiva desenvolvida pelo programa Ferrari Tailor Made em parceria com o Ferrari Design Studio, com foco na cor branca e no trabalho com a luz. Na carroceria, a pintura Madreperla Semi-Gloss usa um pigmento especial que muda de tom entre o verde e o violeta conforme o ângulo e a incidência de luz. O exterior ainda conta com rodas exclusivas, pinças de freio brancas sob medida e o logotipo da Ferrari aplicado sobre fundo preto na cor optical white — recurso criado especialmente para este exemplar.
No interior, segundo a Autoesporte, o revestimento é em couro Le Mans na cor Perla, produzido a partir de couros suíços selecionados para refletir a luz na cabine. Pela primeira vez em um projeto da marca, os elementos secundários da cabine abandonam o acabamento preto tradicional e adotam a cor Grigio Corvara. O carro também traz uma placa de identificação dedicada por ser o primeiro chassis produzido.
Desempenho de superesportivo
A Autoesporte lembra que, por baixo da carroceria polêmica, o Luce entrega números expressivos: quatro motores elétricos, potência total de 1.050 cv, aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, chegada aos 200 km/h em apenas 6,8 segundos e velocidade máxima de 310 km/h.
A polêmica que antecedeu o leilão
O Luce representa uma aposta controversa da Ferrari no segmento elétrico. A Autoesporte destaca que o modelo, apresentado em junho, gerou uma onda de críticas pelo design pouco convencional — resultado de uma parceria com Jony Ive, o designer conhecido por criar diversas gerações do iPhone, do MacBook e de outros produtos da Apple —, além de memes nas redes sociais. O impacto foi além das opiniões: segundo a Autoesporte, as ações da Ferrari caíram 8% no dia do anúncio e, poucas semanas depois, o gerente de marketing deixou a companhia e foi substituído.
Leiloar justamente o primeiro carro produzido é, portanto, uma forma de transformar o lançamento em evento — e de testar o apetite do mercado pelo novo posicionamento da montadora. A Monterey Car Week, realizada na Califórnia, é um dos principais palcos mundiais para leilões de automóveis raros e de alto valor. O UOL Carros destaca que a escolha do evento reforça o caráter colecionável que a Ferrari quer atribuir ao Luce desde o seu primeiro chassi.
Fontes
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