TROKDCARRO
Regulação

Radares de velocidade média: tecnologia pronta, legislação atrasada

Projeto-piloto autorizado pela ANTT foi suspenso dias depois para revisão técnica e legal, reacendendo o debate sobre a fiscalização por trecho nas rodovias brasileiras.

Atualizada em 20 de outubro de 2026 às 13:05· 3 leituras
trokdcarro
Notícia
FISCALIZAÇÃO

Radar de velocidade média: tecnologia pronta, lei atrasada

ANTT autorizou e suspendeu projeto-piloto em rodovias federais — o obstáculo não é técnico.

trokdcarro
deslize →

Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria

A tecnologia dos radares de velocidade média chegou perto de sair do papel no Brasil, mas tropeçou na burocracia. Segundo o Jornal do Carro, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou, em setembro de 2026, experimentos com o sistema em rodovias federais concedidas — e suspendeu a iniciativa poucos dias depois para revisar aspectos técnicos e a forma de comunicação com os motoristas. A pausa reacende a discussão sobre se esse tipo de fiscalização vai de fato melhorar o trânsito ou apenas criar novos problemas.

Ao contrário dos radares convencionais, que fotografam o veículo em um único ponto, o sistema de velocidade média registra a passagem do carro em dois locais distintos e calcula o tempo gasto entre eles. Se o motorista percorrer o trecho mais rápido do que o permitido, o sistema identifica o excesso. O Jornal do Carro aponta que o principal obstáculo não é tecnológico: para Alexandre Krzyzanovski, diretor de Engenharia e Produtos da Pumatronix, "a tecnologia já está madura; o que falta é a norma acompanhar". O executivo explica que o artigo 218 do Código de Trânsito Brasileiro foi pensado para medição pontual, e que uma multa baseada em velocidade média poderia ser contestada na Justiça sem uma regulamentação específica. O Projeto de Lei 2.789/2023 é citado como uma das propostas em tramitação para preencher essa lacuna.

Um dos argumentos mais fortes a favor da tecnologia, segundo a reportagem do Jornal do Carro, é o combate ao chamado efeito canguru — quando o motorista freia bruscamente ao avistar o radar e acelera logo depois. Com a fiscalização por trecho, essa manobra perde o efeito: frear apenas na frente do equipamento não reduz o tempo total percorrido entre os dois pontos. Ainda assim, Krzyzanovski alerta que trechos curtos podem confundir motoristas acostumados com radares fixos, gerando frenagens bruscas por engano. A extensão do trecho monitorado e a sinalização clara, portanto, são determinantes para o sucesso do sistema.

A experiência internacional pesa a favor da adoção. O Jornal do Carro destaca que Barcelona utiliza radares de trecho desde 2016, e dados da prefeitura espanhola apontam redução de acidentes entre 11% e 44%, dependendo da via. A cidade adotou uma fase informativa antes de começar a multar, enviando avisos aos motoristas sem penalidade, priorizando a mudança de comportamento. No Brasil, esse caminho ainda depende de avanços legislativos e de uma estratégia clara de comunicação — dois pontos que, segundo a publicação, motivaram justamente a suspensão do projeto-piloto pela ANTT.

Fontes

Notícias relacionadas

Radares de velocidade média: tecnologia pronta, legislação atrasada | Notícias TROKDCARRO | TROKDCARRO