Radares de velocidade média: tecnologia pronta, legislação atrasada
Projeto-piloto autorizado pela ANTT foi suspenso dias depois para revisão técnica e legal, reacendendo o debate sobre a fiscalização por trecho nas rodovias brasileiras.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
A tecnologia dos radares de velocidade média chegou perto de sair do papel no Brasil, mas tropeçou na burocracia. Segundo o Jornal do Carro, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou, em setembro de 2026, experimentos com o sistema em rodovias federais concedidas — e suspendeu a iniciativa poucos dias depois para revisar aspectos técnicos e a forma de comunicação com os motoristas. A pausa reacende a discussão sobre se esse tipo de fiscalização vai de fato melhorar o trânsito ou apenas criar novos problemas.
Ao contrário dos radares convencionais, que fotografam o veículo em um único ponto, o sistema de velocidade média registra a passagem do carro em dois locais distintos e calcula o tempo gasto entre eles. Se o motorista percorrer o trecho mais rápido do que o permitido, o sistema identifica o excesso. O Jornal do Carro aponta que o principal obstáculo não é tecnológico: para Alexandre Krzyzanovski, diretor de Engenharia e Produtos da Pumatronix, "a tecnologia já está madura; o que falta é a norma acompanhar". O executivo explica que o artigo 218 do Código de Trânsito Brasileiro foi pensado para medição pontual, e que uma multa baseada em velocidade média poderia ser contestada na Justiça sem uma regulamentação específica. O Projeto de Lei 2.789/2023 é citado como uma das propostas em tramitação para preencher essa lacuna.
Um dos argumentos mais fortes a favor da tecnologia, segundo a reportagem do Jornal do Carro, é o combate ao chamado efeito canguru — quando o motorista freia bruscamente ao avistar o radar e acelera logo depois. Com a fiscalização por trecho, essa manobra perde o efeito: frear apenas na frente do equipamento não reduz o tempo total percorrido entre os dois pontos. Ainda assim, Krzyzanovski alerta que trechos curtos podem confundir motoristas acostumados com radares fixos, gerando frenagens bruscas por engano. A extensão do trecho monitorado e a sinalização clara, portanto, são determinantes para o sucesso do sistema.
A experiência internacional pesa a favor da adoção. O Jornal do Carro destaca que Barcelona utiliza radares de trecho desde 2016, e dados da prefeitura espanhola apontam redução de acidentes entre 11% e 44%, dependendo da via. A cidade adotou uma fase informativa antes de começar a multar, enviando avisos aos motoristas sem penalidade, priorizando a mudança de comportamento. No Brasil, esse caminho ainda depende de avanços legislativos e de uma estratégia clara de comunicação — dois pontos que, segundo a publicação, motivaram justamente a suspensão do projeto-piloto pela ANTT.
Fontes
Notícias relacionadas
RegulaçãoNova fórmula de pedágio pode encarecer fretes e produtos no Brasil
Mudança no modelo de cálculo de tarifas em concessões rodoviárias pode gerar custo extra de R$ 42 bilhões, segundo entidade do setor.
RegulaçãoPRF libera consulta de multas sem login e aceita Pix e cartão pelo CPAG
Ferramenta online da Polícia Rodoviária Federal dispensa cadastro e permite quitar débitos de trânsito por meios eletrônicos, com reconhecimento do pagamento em até uma hora.
RegulaçãoPlaca suja ou tampada pode custar R$ 293,47, sete pontos na CNH e até remoção do carro
Infração gravíssima prevista no artigo 230 do CTB atinge qualquer veículo com placa ilegível ou invisível — mesmo que o problema seja só barro.
RegulaçãoGoverno amplia subsídio ao diesel importado em R$ 1,40 por litro; benefício total chega a R$ 3,52
Portaria publicada em 13 de outubro eleva subvenção a importadores habilitados, mas redução não é automática nas bombas.
RegulaçãoPneu careca, para-brisa trincado e farol quebrado: veja o que pode reter ou remover seu carro
A legislação brasileira prevê multas, retenção e até remoção ao pátio para quem circula com defeitos que comprometem a segurança.
Dar seta é obrigação legal: veja o que o CTB exige, quando o pisca é necessário e qual é a multa
Ignorado por grande parte dos motoristas, o uso do indicador de direção é exigido pelo Código de Trânsito Brasileiro em muito mais situações do que a maioria imagina — e a punição por descumprir a regra é concreta.
