Renault admite atraso na eletrificação fora da Europa e aposta na Geely para recuperar terreno no Brasil
Parceria com a montadora chinesa prevê novo modelo nacional sobre a plataforma GEA a partir de 2027, com produção em São José dos Pinhais.
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A Renault admitiu publicamente que levou tempo demais para trazer ao Brasil a mesma aposta em eletrificação que vinha desenvolvendo na Europa. Segundo o Jornal do Carro, Ivan Segal, diretor global de vendas e operações da marca, declarou durante o Salão de Paris que a empresa chegou "aos mercados internacionais com algum atraso em relação à Europa, onde começamos essa transformação há quatro ou cinco anos". A justificativa, de acordo com o executivo, é que os esforços iniciais foram concentrados no continente europeu antes de se expandirem para outras regiões.
Para recuperar o ritmo, a fabricante francesa aposta na parceria com a Geely como principal alavanca. O Jornal do Carro aponta que a plataforma GEA, da companhia chinesa, será usada para desenvolver um novo veículo produzido no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), com início previsto para 2027. Em setembro, a Renault anunciou aporte adicional de R$ 2 bilhões na unidade para ampliar a capacidade de produção de eletrificados. Segal fez questão de esclarecer que a ideia não é rebadgar um Geely: a proposta é compartilhar componentes e escala para reduzir custos, mantendo design, posicionamento e público distintos para cada marca.
O Jornal do Carro destaca ainda que o Brasil ganha tratamento especial dentro dessa estratégia por conta do etanol. Segal afirmou que a Renault planeja oferecer veículos híbridos, elétricos e também com tecnologia flex, reconhecendo a especificidade do mercado local. A arquitetura RGMP, já utilizada no Kardian e no Boreal, não será abandonada — a marca prevê novidades de eletrificação nessa plataforma também em 2027, com soluções desenvolvidas especificamente para o Brasil.
Há ainda, segundo o Jornal do Carro, uma hipótese em estudo para ampliar o portfólio de arquiteturas na fábrica paranaense: a SEA, plataforma elétrica do grupo Geely usada pela Zeekr e pela Volvo no EX30, poderia ser adaptada para a unidade brasileira, mas isso dependeria de avaliação industrial, investimentos e definição de produtos. O movimento também sinaliza um distanciamento progressivo da Dacia, subsidiária romena que por anos abasteceu a operação local, em favor de veículos com identidade própria desenvolvidos para cada mercado.
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