Salão de Paris 2026 volta a brilhar com clássicos europeus reinventados e dobro de marcas chinesas
Evento recupera relevância ao misturar nostalgia europeia com a força crescente das fabricantes asiáticas, que dobraram sua presença em relação à edição anterior.
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O Salão de Paris de 2026 conseguiu o que parecia improvável: devolver ao evento parte da grandiosidade que o marcou em décadas anteriores. Segundo o Jornal do Carro, do Estadão, a receita misturou dois ingredientes aparentemente contraditórios — a nostalgia das montadoras europeias e a ambição expansionista das fabricantes chinesas, que desta vez apareceram em número recorde.
A presença asiática foi decisiva para dar peso ao salão. O Jornal do Carro aponta que cerca de 20 marcas chinesas participaram da edição, basicamente o dobro do registrado em 2024. BYD, Chery, Geely, Leapmotor e Xpeng estiveram entre as presentes, e a Li Auto fez sua estreia em salões europeus, usando Paris para apresentar seus planos de internacionalização — movimento que, segundo a publicação, também interessa ao Brasil, já que a fabricante estuda uma entrada no mercado brasileiro.
Do lado europeu, a estratégia foi buscar familiaridade onde as rivais asiáticas ainda não chegaram: na memória afetiva do consumidor. O Jornal do Carro destaca que Renault, Citroën e Peugeot recorreram a nomes carregados de história — o E-Space, o 2 CV e o RCZ Vision, respectivamente — para apresentar propostas novas com identidade já reconhecível. A lógica, segundo a reportagem, tem parentesco com a de Hollywood ao resgatar franquias de sucesso: um nome conhecido dispensa parte da apresentação e chega permeado por lembranças, enquanto novatas precisam se apresentar do zero.
O Jornal do Carro ressalva, porém, que há distância entre usar a herança e viver dela. A nostalgia funciona melhor quando recupera os predicados originais e os torna relevantes no presente — e parte dos conceitos exibidos em Paris buscou exatamente isso, resgatando não apenas nomes, mas ideias de automóvel que perderam espaço com a proliferação dos SUVs. O saldo do evento, na avaliação da publicação, é o de um setor em redistribuição de forças, onde europeus ainda detêm boa parte da memória afetiva, mas as chinesas já disputam a narrativa dos próximos capítulos.
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