Senado dos EUA quer banir carros chineses, mas Trump e divisões internas travam proposta
Projeto bipartidário tentou fechar todas as portas americanas para veículos e componentes da China, mas enfrenta resistência dentro do próprio Senado e oposição velada do presidente.
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Dois senadores de partidos opostos — o republicano Bernie Moreno e a democrata Elissa Slotkin — uniram forças para tentar fechar o mercado americano para a indústria automotiva chinesa. Segundo o Jornal do Carro, a proposta batizada de 'Connected Vehicle Security Act of 2026' vai além das tarifas já existentes: quer proibir não só a venda, mas também a fabricação de veículos e o uso de componentes e tecnologias vindos da China em solo americano.
A votação, que chegou a ser marcada para o dia 24 de setembro, foi adiada, e o projeto enfrenta um obstáculo concreto: a necessidade de aprovação unânime. O Jornal do Carro aponta que o senador republicano Rand Paul já declarou publicamente que não apoia a medida, o que por si só é suficiente para travar o avanço do texto — que, vale lembrar, já havia passado pelo Comitê de Comércio do Senado em julho.
Do lado da Casa Branca, o cenário é ainda mais contraditório. Conforme destaca o Jornal do Carro, Donald Trump sinalizou apoio à permanência de fábricas chinesas nos EUA, desde que operadas por trabalhadores americanos. Sua oposição recai sobre a produção em países terceiros, como o México, voltada para abastecer o mercado norte-americano. A posição de Trump colide diretamente com o objetivo dos senadores, que querem justamente impedir que a Casa Branca conceda exceções no futuro.
A proposta também pode atingir montadoras ocidentais com participação acionária chinesa relevante. O Jornal do Carro cita a Mercedes-Benz como exemplo: somadas as fatias da BAIC Group e do fundador da Geely, Li Shufu, os chineses detêm cerca de 19,67% da fabricante alemã — acima do limite de 15% previsto no projeto. Isso colocaria em risco uma operação com aproximadamente 5.800 empregos no Alabama. No campo do consumo, pesquisa da AlixPartners mencionada pelo Jornal do Carro mostra que 69% da geração Z americana demonstra interesse em adquirir veículos chineses, um sinal de que a pressão do mercado pode caminhar em sentido oposto ao dos legisladores.
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