Volkswagen pode vender Lamborghini e Ducati em meio à maior reestruturação de sua história
Após se desfazer da Bugatti e de participação em empresa de motores marítimos, grupo alemão avalia novos desinvestimentos; lucros caíram 44% em 2025
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O Grupo Volkswagen pode estar se preparando para uma reestruturação significativa de seu portfólio global. Segundo o FlatOut, a montadora alemã estuda a possibilidade de se desfazer de marcas como Ducati e Lamborghini, dois ativos de alto valor simbólico e financeiro que integram o conglomerado há anos. Agora, a Quatro Rodas aponta que o movimento vai além de especulações internas: de acordo com o Financial Times, o tema ganhou força após a venda da participação majoritária da VW na fabricante de motores marítimos Everllence à Bain Capital — negócio que teria superado as expectativas financeiras da montadora e animou consultores a pressionar por novos desinvestimentos.
Segundo a Quatro Rodas, não é a primeira vez que o grupo se desfaz de uma marca de prestígio: a Bugatti já deixou o conglomerado anteriormente. Agora, Lamborghini e Ducati seriam as próximas da fila. As alternativas estudadas incluem tanto a venda direta da Ducati quanto a abertura de capital da Lamborghini, conforme relata a publicação.
Os números ajudam a entender o apetite do mercado por esses ativos. A Quatro Rodas destaca que a Lamborghini foi adquirida pela divisão Audi da VW em 1998 por US$ 110 milhões, enquanto a Ducati foi comprada pela mesma divisão em 2012 por US$ 909 milhões. Hoje, a Bloomberg Intelligence avalia a Lamborghini em mais de US$ 22 bilhões, e a Ducati entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões — uma valorização expressiva que torna qualquer transação potencialmente lucrativa para o grupo.
A opinião sobre a conveniência da venda, porém, está longe de ser unânime. A Quatro Rodas aponta que alguns analistas consultados pelo Financial Times consideram improvável que a VW abra mão de marcas que geram lucros consistentes. O grupo, por sua vez, não comentou as especulações publicamente.
O contexto, no entanto, é de pressão crescente. Conforme a Quatro Rodas, o momento da Volkswagen é delicado: os lucros do grupo caíram 44% em 2025 na comparação com o ano anterior, chegando a 6,9 bilhões de euros — o menor resultado desde o escândalo do Dieselgate. A crise também se reflete em medidas drásticas de corte: a publicação relata que o plano do CEO Oliver Blume prevê a demissão de até 100 mil pessoas e o fechamento de quatro fábricas na Europa. O próprio diretor financeiro do grupo, Arno Antlitz, sinalizou o caminho ao afirmar, segundo a Quatro Rodas, que "o Grupo Volkswagen reduzirá a complexidade de suas estruturas, simplificará sua gestão, fortalecerá sua posição financeira e aumentará sua flexibilidade financeira".
No front brasileiro, o FlatOut também destaca o desempenho do mercado nacional no primeiro semestre do ano, com SUVs e modelos populares dominando as preferências dos consumidores em um mercado aquecido apesar dos juros ainda elevados. Para o Brasil, a eventual saída de Lamborghini e Ducati do guarda-chuva da VW teria impacto mais simbólico do que prático, já que ambas as marcas operam em nichos bastante restritos por aqui — mas levanta questões relevantes sobre quem seriam os potenciais compradores e o futuro dessas marcas no segmento de luxo e performance global.
Fontes
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