597 cv ou menos? Jetour soma potências dos motores do T2 4×4 e especialistas contestam
Prática de somar individualmente as potências de cada motor em híbridos plug-in distorce a performance real entregue nas rodas, segundo engenheiros.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
A Quatro Rodas levanta um debate técnico relevante para quem compra carro híbrido no Brasil: a potência anunciada pelas montadoras realmente chega às rodas? O estopim foi o lançamento do Jetour T2 4×4, SUV plug-in que chegou ao mercado brasileiro em julho. A marca divulga "potência total instalada" de 597 cv — resultado da soma simples de quatro propulsores: um 1.5 turbo a gasolina de 135 cv, dois elétricos dianteiros de 102 cv e 122 cv, respectivamente, e um elétrico traseiro de 238 cv. Nenhuma potência combinada é informada.
Segundo a Quatro Rodas, especialistas ouvidos pela publicação são categóricos: os quatro motores não conseguem entregar essa soma simultaneamente nas rodas. Marco Barreto, professor de engenharia mecânica da FEI, explica à Quatro Rodas que somar as potências máximas individuais é incorreto porque os picos de cada motor raramente ocorrem na mesma rotação. Para ele, determinar a potência real de um híbrido exige conhecer a arquitetura do sistema, os modos de operação e as curvas de potência por rotação — dados que, em geral, não chegam ao consumidor.
A Jetour se defende argumentando, em nota citada pela Quatro Rodas, que a eletrônica do T2 distribui torque entre os motores conforme a necessidade do motorista, sem que haja um direcionamento exclusivo por unidade. A marca também aponta a ausência de uma norma brasileira para medição de potência em híbridos. A Quatro Rodas confirma que existe apenas um grupo de trabalho da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) discutindo um projeto de norma ABNT sobre o tema — sem prazo definido para conclusão.
A prática não é exclusividade da Jetour. A Quatro Rodas lembra que a Jaecoo, outra marca do grupo Chery, precisou corrigir recentemente os números do Jaecoo 7 após adotar o Regulamento Técnico Global da ONU como referência — o resultado foi uma redução de 60 cv e 15 kgfm nos dados oficiais, sem qualquer alteração física nos motores do veículo.
Fontes
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