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BNDES libera R$ 10 bi para renovar frota de caminhões, mas juros perto da Selic esvaziam o incentivo

Programa regulamentado pela MP 1328 oferece crédito de longo prazo, mas taxas entre 13,32% e 14,89% ao ano desanimam autônomos e frotistas.

Atualizada em 15 de setembro de 2026 às 13:10· 6 leituras
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CRÉDITO & FROTA

R$ 10 bi do BNDES para caminhões — mas os juros esvaziam o incentivo

Taxas entre 13,32% e 14,89% ao ano ficam perto da Selic e desanimam autônomos e frotistas.

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O governo federal regulamentou a Medida Provisória 1328 e destravou R$ 10 bilhões do BNDES para a renovação da frota de caminhões no país. Segundo o Jornal do Carro, o anúncio chega após um 2025 de retração no setor, com queda de 9% nas vendas de veículos pesados — e a indústria esperava um alívio mais robusto do que o programa efetivamente entrega.

O principal entrave, conforme aponta o Jornal do Carro, está no custo do dinheiro: os juros anuais do programa variam entre 13,32% e 14,89%, patamar muito próximo da Taxa Selic atual, de 15%. Para Roberto Leoncini, consultor independente e ex-VP da Mercedes-Benz ouvido pela publicação, essa proximidade retira a atratividade do crédito subsidiado em relação ao financiamento convencional nos bancos. "O acesso ao crédito para o autônomo ainda é uma trava", alerta o especialista. Já para os grandes operadores logísticos, o gargalo é outro: a MP 1328 estabelece um teto de R$ 50 milhões por financiamento, valor insuficiente para renovações em escala nas frotas corporativas.

As regras do programa exigem que o comprador entregue a certidão de baixa do veículo antigo e adquira caminhões que atendam à norma Proconve P8 (equivalente ao Euro 6). Seminovos também são elegíveis, desde que fabricados a partir de 2012 (Proconve P7/Euro 5). O Jornal do Carro destaca a avaliação de David Wong, consultor da Alvarez & Marsal, de que "o programa precisa ser perene para movimentar toda a cadeia, inclusive as empresas de desmontagem e reciclagem".

Ao contrário da MP 1175, de 2023, que concedia descontos diretos no preço dos veículos, a estratégia atual aposta em crédito de longo prazo — parcelas em até 60 meses. Segundo o Jornal do Carro, a decisão prática para o transportador em 2026 será calcular se o spread do BNDES justifica a compra imediata ou se vale esperar uma eventual queda nas taxas de juros antes de ampliar a frota.

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