CEO da Audi é acusado de violar código de conduta ao aparecer com Trump em comício
Presença de Gernot Doellner ao lado do presidente americano durante anúncio de fábrica de US$ 4 bilhões gerou críticas do sindicato IG Metall e de políticos alemães.
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O presidente da Audi, Gernot Doellner, virou alvo de críticas na Alemanha depois de ser flagrado ao lado de Donald Trump em um comício de campanha na Geórgia, nos Estados Unidos. Segundo a Autoesporte, o executivo estava presente no evento para apoiar o anúncio de um investimento de US$ 4 bilhões — cerca de R$ 20,2 bilhões — destinado à construção da primeira fábrica da marca em solo americano, com capacidade prevista para 200 mil SUVs por ano e geração de aproximadamente 4,5 mil empregos.
A reação mais contundente veio do sindicato industrial alemão. A Autoesporte aponta que Christiane Benner, presidente do IG Metall e vice-presidente do conselho de supervisão da Volkswagen — controladora da Audi —, classificou a aparição como "profundamente constrangedora, politicamente inaceitável e indigna da empresa". Benner foi além e acusou Doellner de descumprir as próprias regras internas da montadora, que, segundo a Reuters citada pela publicação, proíbem qualquer envolvimento público com partidos ou candidatos políticos nos três meses anteriores a uma eleição.
A Autoesporte destaca ainda que o primeiro-ministro da Baixa Saxônia, Olaf Lies — cujo estado é o segundo maior acionista da Volkswagen —, também se manifestou contra a escolha do palco para o anúncio. "Um comício de campanha não pode ser o lugar certo para divulgar um investimento dessa magnitude", afirmou o político. O governo federal alemão, por sua vez, tratou o episódio como uma decisão estritamente empresarial, sem entrar no mérito da polêmica.
Do lado da montadora, a Audi confirmou os planos e informou, segundo a Autoesporte, que o início das obras está previsto para 2027, com produção começando no início da década de 2030. A decisão final sobre o aporte, porém, ainda depende de aprovação do conselho de supervisão da Volkswagen — grupo que já enfrenta tensões internas em meio a um amplo processo de reestruturação.
Fontes
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