China lança maior recall automotivo da história do país: 4,3 milhões de elétricos com problema nas maçanetas
Ao menos 12 fabricantes foram convocadas pelo regulador chinês a corrigir falha que pode impedir a saída de ocupantes após colisões graves; Tesla lidera com quase 3 milhões de unidades afetadas
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A China deu início, nesta sexta-feira (21), à maior campanha de recall automotivo já registrada no país. Ao menos 12 fabricantes de veículos elétricos foram convocadas pelo regulador chinês a corrigir um problema potencialmente grave: em situações de colisão severa com falha elétrica simultânea, as maçanetas mecânicas de emergência podem ser difíceis de localizar ou acionar — dificultando tanto a fuga dos ocupantes quanto o trabalho de equipes de resgate. No total, segundo a Quatro Rodas, que teve acesso aos comunicados publicados no site da Administração Estatal de Regulação de Mercado (SAMR), aproximadamente 4,3 milhões de veículos estão envolvidos na campanha.
A Tesla é a mais afetada pela medida. Conforme aponta a Autoesporte, a montadora americana realizará recall de aproximadamente 2,98 milhões de unidades — número que a Quatro Rodas detalha como cerca de 2,975 milhões de Model 3 e Model Y fabricados na China, mais 46 mil unidades importadas dos modelos Model 3, Model X e Model S. Só do Model Y, a Quatro Rodas informa que foram convocadas 1.956.713 unidades produzidas entre novembro de 2020 e abril de 2026. O início das correções está previsto para 25 de setembro, segundo a Autoesporte. A solução adotada combina a instalação de etiquetas sinalizadoras nas alavancas de emergência com uma atualização de software OTA capaz de baixar automaticamente os vidros após uma colisão.
A própria Tesla explicou o problema em comunicado citado pela Quatro Rodas: "Os veículos incluídos neste recall possuem maçanetas mecânicas de emergência internas que são difíceis de identificar e operar, pois sua cor é semelhante à do acabamento interno. Em situações extremas, como uma colisão grave que cause falha no sistema de baixa tensão do veículo, isso pode impedir que os ocupantes abram as portas rapidamente para escapar e dificultar os esforços de resgate de pessoas fora do veículo, representando um risco à segurança."
Além da Tesla, a Quatro Rodas lista todas as marcas e volumes envolvidos no recall: Xiaomi, com 390.435 unidades do SU7 2024; Leapmotor, com 371.200 unidades dos modelos C01 e C11; Xpeng, com 264.842 unidades dos modelos G6, P7+ e X9; Zeekr, com 92.658 unidades do 007 e do X; Lynk & Co, com 74.037 unidades dos modelos 900, 08, 10 EM-P e 07; Chery, com 64.488 unidades dos modelos iCaur 03 e Fulwin X3; Dongfeng, com 53.452 unidades do Nammi 06, Aeolus L8, eπ 007 e eπ 008; BAIC, com 46.850 unidades da minivan Arcfox Kaola; Geely, com 18.878 unidades do Galaxy M9; FAW Hongqi, com 11.908 unidades dos modelos EH7 e Tiangong 08; e Genesis, com apenas 9 unidades do sedã G80 importado.
O problema tem raiz no design das chamadas maçanetas embutidas ou ocultas, que ficam rentes à carroceria e dependem de acionamento eletrônico para emergir. O estilo foi popularizado pela Tesla e rapidamente copiado por diversas marcas de elétricos. A decisão de agir em massa foi motivada especialmente por dois acidentes envolvendo veículos elétricos da Xiaomi, segundo a Quatro Rodas — colisões que resultaram em incêndios e nas quais socorristas não conseguiram abrir as portas pelo sistema eletrônico. De acordo com a Autoesporte, a China já anunciou que, a partir de 2027, todos os veículos novos vendidos no país deverão garantir abertura mecânica das portas independentemente do estado do sistema elétrico. A Quatro Rodas acrescenta que modelos já aprovados e próximos do lançamento terão até 2029 para se adequar às novas regras — tornando a China o primeiro país a banir gradualmente as maçanetas que funcionam exclusivamente por eletrônica.
O recall não abrange, por ora, os carros vendidos no Brasil, mas a Autoesporte chama atenção para o fato de que algumas das marcas envolvidas já operam no mercado brasileiro. A Tesla comercializa seus modelos no país, enquanto a Leapmotor — controlada em parceria com a Stellantis — já trouxe os modelos C10 e B10 ao Brasil. A Zeekr, do grupo Geely, também tem presença local. A campanha chinesa acende um alerta sobre tecnologias que chegam rapidamente ao mercado brasileiro sem que a regulação local tenha acompanhado o mesmo ritmo.
Fontes
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