Fusões entre gigantes chinesas podem redesenhar o mercado de elétricos no Brasil
Consolidação da indústria automotiva na China, impulsionada por excesso de produção e guerra de preços, pode reduzir o número de marcas disponíveis por aqui.
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A indústria automotiva chinesa vive um momento de intensa reorganização. Segundo o Jornal do Carro (Estadão), o excesso de capacidade produtiva, a multiplicidade de concorrentes e uma guerra de preços sem trégua estão forçando montadoras a se unirem — e o governo de Pequim passou a apoiar abertamente esse processo de consolidação. O exemplo mais recente é o acordo entre GAC Group e FAW Group, duas grandes estatais do setor, que prevê integração de recursos industriais e pode tornar a FAW a segunda maior acionista da GAC.
O Jornal do Carro aponta que o problema central está no desequilíbrio entre o que se produz e o que se consegue vender ou exportar. Milad Kalume Neto, da K.Lume Consultoria, explica ao veículo que existem hoje cerca de 112 marcas distribuídas em aproximadamente 55 grupos, mas 80% do mercado está concentrado em apenas 15 deles. Para o especialista, a tendência é clara: "empresas serão adquiridas, outras trabalharão em nichos e outras desaparecerão". A GAC, por exemplo, registrou prejuízo líquido de 4,5 bilhões de yuans só no primeiro semestre — alta de 76% em um ano, conforme o Jornal do Carro.
A consolidação, segundo o Jornal do Carro, não garante automaticamente maior competitividade. Kalume Neto alerta que a reorganização só será efetiva se marcas de fato deixarem de produzir, evitando a canibalização interna do mercado. A FAW já dá sinais desse movimento ao adquirir 5% da Leapmotor — representada no Brasil pela Stellantis — e ampliar cooperação em áreas como condução assistida e finanças.
Para o consumidor brasileiro, o Jornal do Carro destaca que o processo importa diretamente: diversas marcas chinesas já estão presentes no país, e uma eventual saída de players do mercado global pode afetar suporte, peças e continuidade de modelos vendidos por aqui. Kalume Neto pondera, porém, que eficiência não é sinônimo de tamanho — e que as sobreviventes do processo de consolidação não serão necessariamente as maiores, mas as mais competentes do início ao fim da cadeia, incluindo pós-venda.
Fontes
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